A luta greco-romana ganhou o direito de voltar aos Jogos Olímpicos em votação do Comitê Olímpico Internacional reunido em Buenos Aires na Argentina. Na verdade, a luta nunca perdeu, apenas foi “temporariamente” punida. Isto porque em fevereiro passado, o Comitê Executivo do COI havia decidido eliminar a modalidade do programa olímpico depois dos Jogos do Rio em 2016.

A luta é uma das mais antigas modalidades de combate da humanidade, pode se dizer que são mais de 15 mil anos de disputa. É um dos raros esportes da versão milenar dos Antigos Jogos Olímpicos. Faz parte do programa olímpico da Era Moderna desde a primeira edição dos Jogos em 1896. É largamente praticada em todos continentes, com quase 200 países participando ativamente de competições nacionais e internacionais.

Mas como um esporte com este potencial e importância conseguiu ser “eliminado” e teve que, literalmente, lutar muito para conseguir voltar ao programa olímpico? Simplesmente a história e a tradição do esporte evitou a sua modernização, houve uma falha dos dirigentes esportivos e a modalidade caiu em diversos sentidos.

Entre as razões que o Comitê Executivo apontou para a retirada da luta no programa  olímpico foram falta de atletas nos comitês executivos da Federação Internacional do esporte, a desigualdade de competições para ambos os sexos, ou seja, uma preferência e condições mais propícias para o esporte masculino, as regras complicadas que deixam a modalidade impopular para as transmissões de TV, a perda da popularidade do esporte, e principalmente o problema da acusação de corrupção na Federação Internacional de Lutas.

A luta para se manter viva teve de radicalizar. O então Presidente da entidade, Raphael Martinetti da Suiça entregou o cargo no mesmo mês de fevereiro. Desde então, a entidade passou por uma completa reformulação.

Mulheres ocupam cargo de destaque na entidade e em posições que jamais poderiam ser aceitas. Houve modificação no número de categorias e algumas regras deixaram o esporte mais atrativo e principalmente “televisivo”.

A FILA – Federação Internacional de Lutas nem esperou pela Olimpíada de 2020 para fazer seus ajustes. Mudanças nas classes já estarão em vigor muito antes dos Jogos Olímpicos do Rio 2016.

Um problema ainda maior são as acusações de corrupção. Estas, nem foram apuradas, nem foram publicadas, mas todos sabem que existem. Não foi a toa de que no mesmo mês que a luta foi retirada do programa olímpico, o Presidente da FILA, o suiço Raphael Martinetti pedia afastamento do cargo. A medida foi vista com excelentes olhos pelo COI.

Depois a inclusão de mulheres na diretoria da entidade. O incremento de provas e categorias no feminino, igualando o esporte. Uma revisão nas regras e deixando tudo mais fácil para a TV. Tudo isso de forma imediata. Tempo suficiente para convencer a todos de que a luta não pode ficar de fora do maior evento esportivo do mundo.

Na sessão solene do Comitê Olímpico Internacional se fez justiça. E foi dada a luta uma nova perspectiva, um padrão que deve ser global e seguido por todas modalidades. Quem acompanhou a sessão deve ter ficado chateado e até emocinado, para não dizer sentido ao ver beisebol/softbol e squash ficarem de fora do programa olímpico. Infelizmente o espaço não é para todos.

A luta errou, e foi castigada, mas soube se recuperar em tempo para ocupar um lugar que jamais poderia sair. Resta a todos nós tirarmos as lições com o sofrimento da modalidade e entender que o esporte, como em qualquer outra ação, devemos sempre estar atualizados e na busca de melhorar. Nem a tradição, nem a história nos salva. O desejo de sempre estar e fazer melhor é que deixa o nosso esporte mais vivo.

Não precisamos ser punidos para entender que esta evolução é constante e deve fazer parte de nossa rotina. Só se cresce assim, para melhor.

Alex Pussieldi, editor chefe da Best Swimming Inc.

1 responder
  1. Guilherme Tucher
    Guilherme Tucher says:

    Alex, muito bom o texto. O esporte moderno, em todos os sentidos, precisa ser profissional e tratado como negócio. Precisa de visibilidade, de atletas de referência, precisa mexer com a paixão…

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