William Francis Sweetenham, 55 anos a completar no dia 23 de março, é uma autoridade em se tratando de natação australiana e britânica, e um dos mais ativos treinadores do mundo. Treinador desde 1970 e ex-nadador na adolescência, ele foi responsável por mudar os rumos da natação australiana durante a década de 90 que culminou com os melhores resultados da Austrália em Jogos Olímpicos e Campeonatos Mundiais na década seguinte. Era o Programa Nacional da Juventude, que ficou sob sua responsabilidade de 1995 a 2000. Um dos seus melhores resultados foi colocar 11 atletas novatos dentro da seleção de 19 atletas que participou do Campeonato Pan-Pacífico de 1999, em Sydney. Em 2000, abraçou um novo desafio e foi convidado pelo governo britânico para o cargo de Diretor Nacional de Performance, com o objetivo de reconstruir a natação britânica e colocá-la entre as melhores do mundo. O objetivo no entanto não era explícito: era fundamental antes preparar a Grã-Bretanha para tratar a melhor natação possível: capacitar treinadores, melhorar a infra-estrutura das piscina, adequar-se ao calendário internacional, entre muitas outras medidas, grandes e pequenas. O objetivo então foi consequência dessa grande e lenta mudança. Foi por 5 vezes o técnico principal de uma seleção olímpica, 3 pela Austrália, 2 pela Grã-Bretanha, além de ser membro vitalício da Associação Australiana de Técnicos de Natação.
Dono de uma das maiores honrarias que um australiano pode ter – a Ordem da Austrália – Bill é um técnico-gerente com excelente capacidade de administração, e hoje presta consultoria pelo mundo, passando por Cingapura, Nova Zelândia, Argentina, Espanha, Estados Unidos, entre outros. Mas não para de trabalhar: autor de 3 livros, em 2015 está focando na biomecânica em suas apresentações educacionais.
Nos dias 7 e 8 de março ele estará, pela primeira vez, no Brasil, mais precisamente no 10o. Encontro Nacional de Técnicos de Natação, em São Paulo, onde poderá expor sua experiência e projetos que criou, participou e conquistou nos últimos 30 anos. É uma oportunidade única para os treinadores brasileiros que poderão assistir a uma palestra de um dos mais renomados técnicos do mundo, direto do país onde a natação é o principal esporte. As inscrições continuam abertas, restando apenas 30 vagas para completar o auditório da Academia Competition, local do evento.
Já são 210 inscritos no evento, um recorde de público desde que o Encontro foi criado há 9 anos atrás, e também tem recorde na variedade de participantes, que virão de 15 estados diferentes.
Confira mais informações sobre o evento em www.encontronatacao.com.br
Como responsável pelo Programa Australiano da Juventude, como você geriu e planejou o programa? Ele começou pequeno e depois cresceu?
Meus dias no AIS (Instituto Australiano de Natação – Australian Institute of Swimming) foram uma continuação da minha função como Diretor de Treinamento em Queensland (estado da Austrália, ao nordeste do país, a segunda região mais populosa). Minha função era desenvolver a natação do estado do zero até a elite. Isto incluía iniciação, natação junior, busca de talentos, educação para treinadores e desenvolvidmento. Minha próxima função no AIS foi inicialmente auxiliar Dennis Pursley (americano, primeiro “head coach” do AIS, da fundação em 1981 até 1984) com o objetivo de aprender tudo o que ele sabia para que, quando ele saísse, o conhecimento ficasse na Austrália. Depois de apenas um ano, o programa foi dividido e eu me tornei o técnico principal da seleção feminina, enquanto ele cuidou da masculina. Depois que ele retornou aos EUA, tornei-me o técnico principal do AIS por 8 anos. O objetivo era levantar o perfil internacional da natação australiana, o que significava que reportávamo-nos ao Conselho do AIS, e portanto, ao Governo Australiano. Nós não apresentávamos nada a Swimming Australia (Federação Australiana de Natação). A existência do AIS pôs enorme pressão na Swimming Australia para modernizar-se já que nós éramos irrestritos na busca por resultados globais. Durante esse período, também fui técnico principal do Time Olímpico e fui a última pessoa a fazer esse trabalho sem pagamento. Estar no controle do AIS significava também utilizar a verba do AIS para compensar os custos da equipe nacional, que vivia na idade das trevas naquele tempo. Sinto que minha função e habilidade transformou a natação na Austrália para melhor.
Qual o papel do treinador dentro do programa? E qual foi o maior desafio coordenando todos os técnicos como diretor do programa?
O maior desafio foi levantar os resultados para o nível mundial, ser um catalisador para a mudança da natação australiana. Isso significa que tinha uma batalha em 3 frentes: Queensland versus New South Wales (outro estado australiano) versus AIS. Os 3 cresceram nessa batalha, mas Victoria (outro estado ao sudeste, onde fica Melbourne), apesar de ter ótima infra-estrutura, tinha uma péssima organização e treinamento e foi deixada de lado dessa luta e continua assim até hoje. Quando a natação de Queensland e NSW estavam fortes, então o time australiano era forte. Basicamente o AIS recrutava os melhores nadadores do Oeste, Sul e Victoria para tornar-se uma força consolidade com os outros dois estados.
Agora em 2000, você foi a Grã-Bretanha para trabalhar com um diferente grupo de nadadores. Como treinador, o que é importante focar quando você trabalha com diferentes tipos de nadador (atletas entre 10 e 15 anos e atletas entre 16 e 19 anos)?
Se não me falha a memória, a natação britânica teve entre 3 ou 4 finalistas nos Jogos Olímpicos de 2000. Cheguei lá como Diretor Nacional de Performance em dezembro de 2000 e estipulei diversos objetivos. Um era ser o time de natação mais bem preparado do mundo. Segundo, ser o time esportivo mais bem preparado na Grã-Bretanha. Terceiro, ter os melhores técnicos do mundo através do desenvolvimento e ensino. Quarto, ter a melhor estrutura competitiva dentre as nações, com estreita ligação com o calendário internacional. Nenhum desses objetivos refletiam nos resultados ou performance, então não colocava pressão em ninguém, mas como consequência desses objetivos alcançados, eu sabia que os resultados viriam. Meu maior legado virá nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, como já aconteceu em 2008, em Beijing, e eu julgo meu sucesso pelo fato de que outros países estão agora tentando recrutar os técnicos ingleses quando no passado isso nunca aconteceria. Houve um lapso temporário no sucesso britânico em Londres devido à fraca liderança do Diretor Nacional de Performance na época, Michael Scott.
Qual problema foi mais complicado de resolver neste período?
O desenvolvimento técnico que trouxe uma confiança maciça para os treinadores. A reestruturação do calendário competitivo que ajustou-se ao calendário internacional também foi importante. A troca do velho pensamento nos árbitros, técnicos e atletas era um desafio difícil que tive que liderar e lutar contra uma grande massa opositora, mas que consegui vencer na minha gestão.
Nos últimos 10 anos, a função do treinador no sucesso do nadador foi dividido entre outros profissionais. O que você faz como treinador para tirar vantagem dessa equipe multidisciplinar?
Primeiramente, eu não tenho ninguém em minha equipe que não é chamado de treinador. Eu insisto que cada membro da minha equipe tem que ter experiência aplicada como treinador. Para equipes nacionais, combinei a função de treinador de força e condicionamento com a do treinador biomecânico, para que essa pessoa possa ser um líder mundial no tema nutrição e fisiologia. Sua contribuição aos atletas e equipe deve vir através do técnico principal (head coach) para que não tenha nenhuma confusão nas informações entregues. Isso também significa que não há mudança na equipe na proximidade dos Jogos Olímpicos. Eu levo uma grande equipe para Mundiais e seleciono a equipe olímpica baseado na performance deles no Mundial. No período de avaliação, eu pergunto a cada membro se eles podem entregar a vitória para cada atleta da equipe. Se ele hesitar ou estiver indeciso, então ele não será parte da campanha olímpica. Se ele responde sim, então pergunto como ele fará e defino isso claramente como sua função antes de qualquer nomeação para a equipe olímpica. Como líder, eu tenho que ter a melhor equipe sem compromisso [externos].
https://www.youtube.com/watch?v=gFjPd2_EYZ4
2016 está chegando e existe uma ansiedade enorme sobre o time brasileiro, com grandes expectativas e, claro, medalhas. Como a equipe fez um bom Campeonato Mundial de Piscina Curta, em Doha ano passado, os nadadores e técnicos estão motivados e acreditam que eles estão no caminho certo. Nesse momento, que conselho daria ou ações tomaria?
O Campeonato Mundial de Piscina Curta, e natação em piscina curta em geral, tem pouca ou nenhuma relatividade com os Jogos Olímpicos. Meu conselho seria participar e ter mais eventos em piscina longa ondeos atletas devem aprender a executar o processo de nadar eliminatórias, semifinais e finais e também revezamentos em ritmo intenso. Eles devem ser capazes de nadar bem nas 3 etapas. Isto pode significar que o nadador participe de 10 competições por ano e entre n’água 16 ou mais vezes para competir em diversas provas onde o atleta e o técnico devem aprender a nadar rápido nas eliminatórias para ter a melhor performance nas finais. Finais são ganhas nas eliminatórias e o atleta campeão “assegura” seu lugar. Muitos técnicos e atletas esperam por isso mas pouquíssimos ensaiaram sob pressão para repetir numa Olimpíada. Se eles fazem isso, então não será uma questão de nadar sob pressão, já que ele aprendeu a fazer isso. Obviamente, existem exceções mas são um número muito pequeno que tem uma diferença no momento da competição.
Será sua primeira vez no Brasil mas com certeza não é a primeira vez que ouve sobre nadadores e treinadores brasileiros. Você pode citar alguns pontos positivos pelos quais os brasileiros são reconhecidos e outros pontos negativos?
O que se percebe é que a força da natação brasileira está nas provas masculinas de velocidade e o que se percebe como fraqueza são os outros eventos nos 4 estilos, e o fato de que o Brasil é muito focado nos resultaods em piscina curta. O Brasil tem uma história de excelência na velocidade masculina e uma outra história que não é capaz de competir bem nas provas de 200 metros ou mais. E também há o calendário interno brasileiro não corresponde ao calendário internacional.




gostaria de saber mais sobre a dierença de clendários.Sou apenas um adimirador do esporte mas não entendo essa diferença?pode me responder