Bem-vindo a fevereiro, segundo mês do ano e faltando seis meses para a Olimpíada do Rio 2016.
Para ser mais exato, são 185 dias para o Rio 2016, 186 para a natação. Nossa seletiva, de 15 a 20 de abril, o Maria Lenk, são 71 dias.
E, mesmo assim, ninguém (ou quase ninguém menos Bruno Fratus que nadou no GP de Austin), competiu em 2016. Pior que isso, não tem previsão para se competir até março.
Em 16 anos de natação americana, talvez o maior benefício que tive como treinador, foi estar inserido num programa competitivo intenso, de alto nível, organizado. Tem competição todo mês, em todo lugar. Se compete uma a três vezes por mês, é uma questão de opção.
De volta ao Brasil, e as vésperas daquela que será a maior competição da nossa história esportiva, seguimos neste modelo ultrapassado, caquético e sem perspectiva.
Mesmo com os clubes mudando suas estruturas de treinamento, hoje se inicia a temporada na primeira semana de janeiro, as competições só começam três meses depois. Os calendários das federações mal estão aprovados, a assembléia da CBDA só acontece em março.
Assim, competir no Brasil, é simplesmente impossível.
Competir é treinar, e treinar em alto nível. Não precisa ser Katinka Hosszu para competir tanto. Falando nela, apenas em janeiro, três competições de alto nível, GP de Austin, no Texas, Estados Unidos, Golden Tour em Nice, na França, e Euromeet em Luxemburgo. Nadou 32 provas, isso sem contar as eliminatórias e finais.
E não é só ela. A sueca Sarah Sjoestroem que também esteve no GP de Austin, onde nadou quatro provas e venceu três, neste final de semana disputou o Grand Prix de Malmoe na Suécia, seis provas e seis vitórias.
Diz um nome aí? James Magnusssen, Michael Phelps, Ryan Lochte, Mireia Belmonte, Missy Franklin, Cameron McEvoy, Florent Manaudou, Federica Pellegrini, Laszlo Cseh, Kosuke Hagino, escolhe, qualquer um. Todos já competiram em 2016. Katie Ledecky até recorde mundial já bateu.
E nós?! Nada! Não tem competição, não tem calendário, não tem perspectiva.
Por incrível que pareça, no Brasil, quando temos uma prova com eliminatória e final, e menos de oito nadadores na prova, nossos treinadores brigam no congresso técnico para eliminar a disputa das eliminatórias. Afinal, para que fazer força duas vezes.
Chegamos ao cúmulo de aceitar que os Campeonatos Brasileiros de Inverno não vão fazer falta.
Isso é totalmente o contrário do que acontece lá fora. Lá, se compete mais, sempre forte, manhã e tarde, eliminatória e final. No exterior, também se nadam mais vezes. Atletas são submetidos a programações de várias provas por dia (nos Estados Unidos o regulamento admite até 5 provas por dia), enquanto no Brasil, o regulamento pré-histórico estabelece que cada atleta pode nadar no máximo duas provas por dia, e no total, uma a mais do que o número de dias da competição.
Assim, um jovem nadador da base americana, num final de semana, pode nadar até 15 provas em três dias, enquanto que o nadador brasileiro nada quatro.
Alguém sabe o motivo? Nem quem escreve o regulamento sabe.
Independente do que acontecer no Maria Lenk, e principalmente no Rio 2016, uma reformulação neste sistema se faz necessária. As assembléias precisam acontecer nos últimos meses do ano anterior, e precisamos começar a competir logo no início da temporada, como se faz em qualquer lugar do mundo. Menos aqui.



Os clubes deveriam investir no socio atleta,assim como no futebol,o garoto nadaria pelo clube sem pagar nada.Hoje em dia se tu não for socio de um clube tu não pode praticar natação.Então este garoto prefere jogar bola.
Mesmos dirigentes, mesmas idéias…CBDA maquiando resultados. País do faz de conta.
Caro Coach, em parte entendo a ideia, mas em parte vejo com outros olhos.
Nosso país, até mesmo no esporte, não pode ser comparado com outros, principalmente os do primeiro escalão.
Nossos pais e atletas, desembolsam muito dinheiro e consomem muito tempo, por terem competições sem um mínimo de interesse, sem nenhum objetivo e pessimamente planejadas(???).
Nossos clubes precisam, em sua grande maioria, quase mendigar, pois não possuem condições de se manter sozinhos, não temos federações atuantes, não temos atração para o público que não esteja diretamente envolvido.
Os pais querem os filhos jogando futebol, porque futebol dá dinheiro.
O esporte não é levado a sério por nossos governantes, por nossos dirigentes, por nossos possíveis patrocinadores.
Uma pergunta: As grandes marcas internacionais que ganham rios de dinheiro com os esportes aquáticos, (não sei se posso citar nomes), quais delas patrocinam os clubes de natação, polo, nado sincronizado, maratonas ou saltos?
Temos atletas que são patrocinados individualmente e olhe lá.
Voltando às competições. Nossas escolas, nossas universidades, ninguém investe em esporte. São pouquíssimos os que dão algum tipo de apoio, e as federações quase nunca investem nos atletas, quase nada mudou nos últimos 30 anos, a não ser o aumento do desinteresse.
Hoje temos empresas realizando eventos de maratonas aquáticas, biathlon, aquathlon e SUP, que por serem mais organizadas e mais profissionais, faturam muito e conseguem grandes apoios e tornam muito atraentes seus eventos. Em contrapartida, tivemos há pouco tempo um campeonato carioca de natação mirim e petiz, em que pouco mais de 40 minutos foram suficientes para realizar a competição. Eu chamo isso de má gestão, de planejamento furado.
Mas não culpo o presidente, pois isso não é desmérito individual.
Temos que rever nosso modelo, temos que rever nossos conceitos e transformar nossas competições em eventos atraentes, temos que incentivar a prática de esportes de competição, na sua essência, na base.
Temos que levar os ex-atletas para divulgar e incentivar a prática entre os jovens.
Temos que mudar quase tudo, ou então iremos discutir isso por mais cem anos (ai eu não estarei mais aqui, para saber o final da história).
Grande abraço.
Que coisa triste! Quase tudo no Brasil é arcaico: modo de pensar do povo e das instituições, leis que (muitas vezes) não se adequam ao tempo em que vivemos, uma educação que não melhora. Tudo o que é feito aqui no Brasil piora a situação das pessoas, e nunca segue um parâmetro humano e profissional.
Verdade Coach. E é porque voce nem entrou em detalhes com relação a temporada escolar e universitária, quando atletas de 14 a 21 anos muitas vezes competem 2x por semana. Nosso senior group aqui entre começo de dezembro a comeco de marco (3 meses) vai competir em 14 competições entre high school e clube. Um grande problema para o proximo presidente da CBDA resolver.