Wilson Kpsang (divulgação)

Wilson Kpsang (divulgação)

No último domingo de setembro, Wilson Kipsano do Quênia quebrou o recorde mundial da maratona ao correr a Maratona de Berlim com o tempo de 2 horas, 3 minutos e 23 segundos. Foi a quinta vez consecutiva que o recorde da prova é batido em Berlim, sendo três vezes pelos quenianos. Um número bastante impressionante principalmente se comparado ao recorde feminino da maratona que está estancado há 10 anos no poder da britânica Paula Radcliffe com 2 horas, 15 minutos e 25 segundos.

Vídeo da chegada de Kipsano em Berlim onde aparece um intruso na chegada promovendo um site de prostituição.

http://www.youtube.com/watch?v=y5o55R06vr8

Com o recorde da maratona caindo constantemente, o grande desafio é ver a marca quebrar a barreira das duas horas e por incrível que pareça, o nome mais cotado para isso nem corre a maratona. É o britânico Mo Farah, campeão mundial e olímpico dos 5 e 10 mil metros. Na verdade Mohamed Farah, nascido pobre na Somália e que imigrou aos 8 anos para a Grã-Bretanha onde se transformou no maior corredor de distância da história do país. O desafio da quebra das duas horas na maratona seria apenas mais um de seus objetivos no esporte.

Mo Farah celebrando sua vitória no Mundial de Moscou (Yahoo sports)

Mo Farah celebrando sua vitória no Mundial de Moscou (Yahoo sports)

Ainda faltam 3 minutos e 30 segundos para isso, algo que se for mantida a atual média da quebra dos recordes demoraria algo em torno de 25 anos. Recordes foram feitos para serem quebrados, mas certas barreiras são quase inimagináveis de serem rompidas. Algo como correr os 100 metros rasos abaixo de 9:5 (recorde atual 9:58) ou o salto em altura acima dos 2,5 metros (recorde atual 2,45).

Comparações com a natação, a maratona seria a nossa prova dos 10 quilômetros de águas abertas onde qualquer nadador de nível médio nada abaixo das duas horas. Entretanto, diferente das provas atléticas e até mesmo das provas de piscina, nas águas abertas o trajeto não é preciso, com nadadores fazendo diferentes percursos além da influência de correntes. Por isso, nas águas abertas, o tempo é o que menos importa e sim chegar na frente.

Na piscina, o tempo é tudo. E barreiras históricas vem sendo rompidas pelos nadadores. A barreira do minuto nos 100 metros nado livre foi derrubada pelo lendário Johhny Weissmuller, o mais famoso Tarzan do cinema, que no distante 1922 quebrava o recorde de outro lendário Duke Kahanamoku. Weissmuller nadou para 58:6 em uma competição na Califórnia dois anos antes de se tornar campeão olímpico pela primeira vez. Entre as mulheres, foi a australiana Dawn Fraser que entre seus nove recordes mundiais na prova dos 100 livre, um deles, o sétimo, foi no Commonwealth Games de 1962 quando nadou para 59:99.

A barreira dos dois minutos nos 200 livre masculino foi quebrada pelo maior recordista da prova em todos os tempos. O americano Don Schollander quebrou 11 vezes o recorde, numa destas em 1963 em Los Angeles com 1:58:8 nadava pela primeira vez abaixo da barreira. Aqui, as mulheres não demoraram muito para conseguir este feito. Apenas 13 anos depois de Schollander, na seletiva pré-olímpica para os Jogos de Montreal em 1976, a alemã oriental Kornelia Ender baixava quase 3 segundos para mandar o 1:59:78. Pouco mais de um mês depois, Ender era campeã olímpica quebrando o seu próprio recorde para 1:59:26.

Subindo para a barreira dos 4 minutos, foi o americano Rick DeMont que na primeira edição do Mundial de Piscina Longa em 73 na Iugoslávia nadava os 400 livre para 3:58:18. DeMont havia vencido a prova dos 400 nos Jogos Olímpicos de Munique no ano anterior mas perdeu sua medalha por testar positivo por conta de um remédio contra a asma. Para as mulheres, esta barreira dos 4 minutos foi coisa muito mais difícil de ser rompida. Até hoje, apenas duas conseguiram fazer isso e o recorde continua na mão de Federica Pellegrini que com os 3:59:15 feitos no Mundial de Roma em 2009. A outra foi a americana Katie Ledecky que conseguiu isso no recente Mundial de Barcelona atingindo a segunda melhor marca da história, a melhor sem trajes.

Veja o recorde mundial dos 400 livre com Federica Pellegrini no Mundial de Roma.

O russo Vladimir Salnikov foi o responsável pela quebra das barreiras dos 8 minutos nos 800 livre em 1979 e dos 15 minutos nos 1500 livre no ano seguinte. Nos 800, Salnikov quebrou o recorde da prova quatro vezes e na primeira mandou 7:56:49. Nos 1500, ele teve três recordes mundiais e na primeira foi 14:58:27.

Vladimir Salnikov o primeiro a quebrar a barreira dos 8 e 15 minutos. (China Daily)

Vladimir Salnikov o primeiro a quebrar a barreira dos 8 e 15 minutos. (China Daily)

As mulheres ainda não quebraram estas barreiras. Nos 800 livre, Katie Ledecky acabou de bater a marca mundial com 8:13:86 em Barcelona e somente agora que na Copa do Mundo de Berlim que a espanhola Mireia Belmonte conseguiu fazer isso em piscina curta. Belmonte quebrou o recorde marcando 7:59:34. Nos 1500 livre feminino, a barreira também parece longe, bem longe. Ledecky mandou 15:36:53 em Barcelona e nem na curta as mulheres chegaram perto ainda pois Lotte Friis é a recordista num distante 15:28:65. Se for mantida a mesma progressão do recorde mundial dos 1500 livre feminino, esta barreira seria quebrada em 34 anos.

Recordes foram feitos para serem quebrados e barreiras que parecem impossíveis com o decorrer dos anos passam a ser facilmente ultrapassadas. Mo Farah é apenas mais um personagem nesta história que como muitos outros vai atrás de fazer seu nome e ficar imortalizado.

2 respostas
  1. Alex Pussieldi
    Alex Pussieldi says:

    Carlos,
    Eu acho que você se enganou. Djan Madruga fez 3:59:62 nas eliminatórias dos 400 livre em 1976 Montreal, mas o recorde mundial já era do Rick DeMont desde 1973 com 3:58:18.

  2. carlos
    carlos says:

    Coach, você esqueceu de mencionar o Djan Madruga nos 400 livre em Montreal 1976, sendo o PRIMEIRO nadador do mundo a baixar de 4 minutos na referida prova, com o tempo de 3m59s62…Abs

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