Canadá recebeu pela primeira vez na história um Campeonato Mundial de Piscina Curta. Quando falamos de Campeonato Mundial de Desportos Aquáticos, o país foi sede em 2005, em Montréal.

Com eliminatórias durando mais que 4 horas, é de se notar durante as transmissões da Sportv e mesmo para o público local (que nunca conseguiu lotar as arquibancadas do Windsor Family Credit Union), um número razoável de DNS aparecendo nos resultados de cada série eliminatória.

DNS significa Did Not Start, não iniciou a prova. É a desistência do atleta por algum motivo médico (o atleta ficou doente), técnico (ele está classificado melhor em outra prova, como aconteceu com Etiene Medeiros ao desistir da semifinal dos 50 livre para nadar somente a final dos 50 costas) ou ausência física (o atleta nunca esteve na competição).

Em tempos de transmissão de televisão, uma competição com mais de 4 horas de duração fica insuportável até mesmo para os maiores fãs do esporte. E é natural que durante as eliminatórias exista menos prestígio e audiência do que nas fases semifinais e finais, ainda mais que existe uma apresentação em estilo show, medalhas em disputas e onde acontecem 99% dos recordes.

A Best Swimming fez um levantamento inédito e exclusivo dos últimos 4 Campeonatos Mundiais em Piscina Curta (Dubai-2010, Istambul-2012, Doha-2014 e Windsor-2016) para descobrir o que parecia meio óbvio: este é o Mundial das desistências.

Não levamos em consideração os campeonatos antes de 2010 porque ele apareceria somente em 2006, realizado em Xangai, quando depois a competição passou por uma grande reestruturação interna da Fina para tornar a competição mais atraente ao público e aos atletas, inclusive abdicando a realização em 2008 e definindo que a data de realização da competição deva ocorrer sempre em dezembro.

Também só levamos em consideração a fase eliminatória de todos os campeonatos. Ou seja, quem desistiu na semifinal, como fez Etiene, não faz parte da estatística aqui apresentada.

Com o término das eliminatórias na cidade de Windsor, notamos que os maiores números de ausência sempre ocorrem nas provas de 50 metros, este é o TOP 3:

  • 50 livre masculino: 18 desistências
  • 50 borboleta masculino: 17 desistências
  • 50 livre feminino: 14 desistências

Comparado com o número de inscrições constantes no resultado de cada prova, os 50 borboleta masculino tem o pior índice de desistência entre os 3, 13,39% dos atletas não compareceram às eliminatórias desta prova.

Em termos de índices, no entanto, os revezamentos são os piores: 33,33% das 27 equipes inscritas no 4×50 medley masculino não compareceram! É literalmente uma série eliminatória completa que deixou de existir, o que economizaria algo em torno de 4-5 minutos na competição. Outro revezamento próximo desse índice é o 4×50 livre masculino, com 8 em 27 equipes desistindo de nadar a fase eliminatória.

No total, foram 203 desistências identificadas nos resultados das eliminatórias em Windsor, entre 2.872 inscrições (estamos contando 1 revezamento como 1 inscrição), e o índice geral da competição ficou em 4,41% de desistências, enquanto que Doha-2014 ficou com 2,50%, Istambul-2012 com 3,88% e Dubai-2010 com o melhor resultado, 1,83% de desistência em 2.355 inscrições.

Em apenas 3 provas todas as nadadoras ou equipes compareceram e competiram, notadamente no feminino: 400 medley, 200 borboleta e 4×200 livre.

Em Doha-2014, foram 5 provas sem qualquer desistência, incluindo os 200 livre masculino que contou com nada menos que 100 participantes. Em Istambul-2012, apenas os 800 livre feminino não contou com qualquer desistência, e em Dubai-2010, uma competição muito eficiente, teve 12 provas com zero desistências.

As provas com mais inscritos, 50 e 100 livre masculino, ambas com 157 atletas, tiveram índices de desistência de 11,46% e 7,64%. Nas competições analisadas, os 50 livre masculino de Doha-2014 foi o que teve mais inscritos, 178, com apenas 4 desistências, resultando num aceitável índice de 2,25%.

Em 2016 e 2014, foi adicionado à competição mais 6 provas de revezamento: 4×50 medley feminino, masculino e misto, e o 4×50 livre feminino, masculino e misto. Em Windsor, estas provas foram responsáveis pela maior média de índice de desistência: os revezamentos 4×50 tiveram um índice de desistência de 18,78%, enquanto que em Doha a média ficou em 15,74%.

Mas se removermos os revezamentos 4×50 das estatísticas, notamos que o índice de desistência em Windsor – com apenas as provas que constam em todos os campeonatos citados – sobe para 5,08%!

Uma importante particularidade que deve ser notada é que até 2014 a competição era realizada em 5 dias, e em 2016 é a primeira vez que a competição é realizada em 6 dias (por causa, essencialmente, da realização das eliminatórias das provas de 800 e 1500 livre, enquanto até aqui a prova era realizada com séries fracas e a final composta com os 8 atletas com melhores tempos de balizamento).

Assim como regulamente vemos em regulamentos de campeonatos brasileiros, a FINA impõe multa aos desistentes:

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De acordo com a GR 7, as equipes podem substituir ou retirar atletas das eliminatórias durante o Congresso Técnico da competição, geralmente realizada um dia antes do primeiro dia de competição. Se isso não ocorrer, para cada atleta que não compareceu haverá uma multa de 100 francos suíços e o dobro em caso de equipes de revezamentos. No caso de desistências para as semifinais ou finais, o responsável da equipe deve comunicar a organização em até 30 minutos após o término da prova que o atleta participou nas eliminatórias, senão haverá a aplicação da mesma multa.

Se tudo correu normal, a FINA recolherá em Windsor, só em multas por não comparecimento, mais de 20 mil francos suíços ou algo em torno de 65 mil reais.

Confira o levantamento completo (clique na imagem para aumentar):

desistencias-em-campeonatos-mundiais-de-piscina-curta-xlsx

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