Muito mais do que ser a favor ou contra (o assunto é polêmico mesmo), a postagem tem um caráter mais informativo, nada opinativo, e principalmente esclarecedor, pois com a politização do tema, a desinformação abunda nesta discussão (para ambos os lados).

Assim, siga abaixo a lista de tópicos que vai lhe ajudar a entender como todo o processo está e o tanto de discussão que isso ainda vai gerar.

A REGRA DO ATLETA TRANSGÊNERO
O Comitê Olímpico Internacional baixou uma recomendação, e não regra, pois COI não faz regras para as federações internacionais de esporte, apenas recomendações, onde as federações tem autonomia para deliberarem especificamente para suas modalidades.

A recomendação do COI é a mesma desde novembro de 2015, e mesmo com ela em vigor não tivemos nenhum atleta transgênero nos Jogos do Rio 2016. Algumas federações já tem suas próprias regulamentações que divergem da recomendação do COI.

Durante este ciclo olímpico, o assunto veio a tona e chegou a ser noticiado que uma revisão estaria sendo implantada, fato que nunca se concretizou.

O QUE DETERMINA A RECOMENDAÇÃO
Pelo que ficou determinado em novembro de 2015, os atletas transgêneros masculinos precisam fazer um tratamento de redução de testosterona por pelo menos 12 meses anteriores aos Jogos e manter no limite de 10nmol/litro. Não há qualquer exigência de cirurgia de mudança de sexo e nem todas as federações internacionais de esporte seguem esta recomendação. (clique aqui)

A REGRA MUDOU PARA TÓQUIO?
Não, não mudou nada, apenas o COI indicou que não haveria tempo suficiente para deliberar para uma revisão da determinação de novembro de 2015. A questão dos transgêneros no esporte vai ser discutida, mas somente após os Jogos Olímpicos de Tóquio.

Na interpretação do COI, o assunto merece não só mais discussão como também um posicionamento científico mais preciso.

(link)

QUEM SERÁ O PRIMEIRO ATLETA TRANS
A Federação Internacional de Levantamento de Peso mudou os critérios de classificação dos atletas para Tóquio diminuindo o mínimo de participação de seis para quatro eventos internacionais devido a Pandemia. A mudança favoreceu a convocação daquela que será a primeira atleta trans dos Jogos Olímpicos.

O nome dela é Laurel Hubbard, 43 anos de idade, natural da Nova Zelândia, e nasceu Gavin Hubbard, filha de um ex-prefeito da capital do país, Auckland, e que teve carreira de destaque no levantamento de peso até a categoria júnior no masculino. Hubbard deixou o esporte competitivo em 1999, mas retornaria como Presidente da Federação de Levantamento de Peso da Nova Zelândia e como atleta no feminino após a mudança de sexo em 2013.

AS MARCAS DE LAUREL HUBBARD
Hubbard desde que fez a transição para o feminino, ainda não conseguiu alcançar as marcas feitas na categoria júnior onde foi recordista nacional com 135 quilos no arranque e 170 no arremesso, total de 305 quilos.

No feminino, suas melhores marcas aconteceram no Mundial Masters em 2017, 131 quilos no arranque e 149 quilos no arremesso, total de 280 quilos.

CHANCES DE MEDALHA DE HUBBARD EM TÓQUIO
Hubbard pertence a categoria mais pesada do levantamento de peso feminino. Em 2020, ela terminou o ranking mundial em 16o lugar.

O recorde mundial da categoria olímpica +75kg é de 155 quilos para o arranque, 193 no arremesso e 348 no total. O recorde olímpico da categoria 151 quilos no arranque e 187 no arremesso, 333 no total.

Comparando com os melhores resultados de Hubbard 131/149/280 este foi o quadro de medalhas da categoria nos Jogos Olímpicos do Rio 2016:
Ouro 130/177/307
Prata 131/175/306
Bronze 126/160/286

A LESÃO E A PARTICIPAÇÃO NO COMMONWEALTH GAMES
Laurel Hubbard chegou a ser impedida de participar do Commonwealth Games de 2018, em Gold Coast, na Austrália. Entretanto, uma disputa que chegou até a justiça garantiu a sua presença, mas ela acabou deixando a competição com uma fratura que pode ser vista na execução abaixo.

A HISTÓRIA DO ATLETA TRANS NA OLIMPÍADA
Mesmo aprovada a participação do atleta trans nos Jogos Olímpicos (há oito edições), nunca tivemos uma só presença. Não houve modificação na regulamentação que estava em vigor apenas apareceu um atleta que se enquadra nesta redução de testosterona exigida pela recomendação.

Este gráfico foi publicado por Kirsti Miller, uma das maiores ativistas na defesa da presença e participação do atleta trans no esporte mundial.

QUAL O MOTIVO DE TER O ATLETA TRANS NA OLIMPÍADA
Talvez aqui o maior conflito em toda esta polêmica. A Agenda 2020 adotada pelo atual Presidente Thomas Bach foi de garantir a presença e a inclusão de todos os atletas, independente de raça, cor, além de uma política mais inclusiva e de justiça social. A criação da equipe dos refugiados e a participação dos atletas trans faz parte desta nova política do COI.

Independente dos resultados, expressivos ou não, Laurel Hubbard em Tóquio vai gerar muita discussão e controvérsia em algo que ainda está longe de terminar.

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