Um dia muito especial, recheado de recordes e marcas históricas, um dia para ser guardado para sempre na memória deste esporte. Confira prova a prova:
50 BORBOLETA FEMININO –

Como esperado, a dinamarquesa Jeanette Ottesen saiu na frente, e que saída, que submerso colocando uma boa vantagem, mas não o suficiente para suplantar o trabalho de nado da sueca Sarah Sjoestroem.
Muita gente acha que velocidade de reação é saída, não é. Sjoestroem teve 0.66 de reação, Ottesen teve 0.67, isso é apenas um detalhe em todo o movimento que dura cinco a seis vezes mais do que isso.
Na parte nadada, Sjoestroem parecia que movia seus braços como um par de remos carregando seu corpo a frente, primeiro diminuindo a vantagem e depois abrindo vantagem. Venceu com 24.96 estabelecendo novo recorde de campeonato quebrando a sua própria marca de 25.06 feita ontem.
Ottesen chegou em segundo lugar com 25.34 e a chinesa Ying Lu chegou em terceiro com 25.37, novo recorde da Ásia. Na quinta colocação, a egípcia Farida Osman com 25.78 estabeleceu novo recorde da África.
Foi a primeira vez na história dos Mundiais que uma mesma nadadora conseguiu vencer os 50 e 100 borboleta. E a segunda vitória sueca na prova, repetindo Therese Alshammar campeã em 2007 com 25.91 tempo que lhe daria um sétimo lugar na final de hoje.
50 LIVRE MASCULINO –

Bruno Fratus. Campeonato Mundial de Desportos Aquaticos no Kazan Arena. 08 de agosto de 2015, Kazan, Russia. Foto: Satiro Sodre/SSPress
Se alguém tinha alguma dúvida, não tem mais. Florent Manaudou se consagrou hoje como o nadador mais rápido do mundo da era pós-trajes coroando um ano impressionante. Venceu com 21.19, melhor marca da era pós-trajes no seu 12o 21 do ano. Uma saída muito rápida, excelente submerso e melhor transição, Manaudou é o melhor neste fundamento na atualidade. Na parte nadada manteve a diferença e venceu com 33 centésimos sobre o segundo colocado. Na história dos Mundiais, só não bate a diferença da vitória de César Cielo sobre o italiano Luca Dotto do Mundial de Shanghai em 2011, 38 centésimos, de 21.52 para 21.90 respectivamente.
A velocidade de reação do bloco pouco representou na prova. Vlad Morozov foi o melhor com 0.59 mas nunca esteve na disputa dos primeiros lugares. Nathan Adrian saiu com 0.67, Bruno Fratus com 0.69 e Manaudou com 0.62.
Bruno saiu bem do bloco, mas ficou para trás no início de nado, logo após o submerso. A briga estava entre Adrian e Manaudou. Fratus foi buscar, mas só Adrian. Manaudou seguia sua liderança e Fratus cada vez mais perto do americano. Nos metros finais, o brasileiro era o segundo, mas um erro técnico na chegada lhe tirou a prata e quase fez perder o bronze.
Nathan Adrian tocou 21.52, Bruno Fratus bronze com 21.55 e Vlad Morozov chegando pertíssimo com 21.56.
Apenas o britânico Ben Proud fechando raia nadou acima dos 22 segundos.
Foi a primeira vez na história que a França ganhou a prova dos 50 livre em Mundiais. Antes, prata com Fred Bousquet em 2009 e bronzes com Amaury Levaux em 2009 e Alain Bernard em 2011.
O Brasil se manteve no pódio dos 50 livre pelo quarto ano consecutivo. Depois do tri campeonato de Cesar Cielo, Fratus levou o bronze. Foi sua segunda final de Mundial. Antes, ele havia sido quarto colocado em 2011 em Shanghai.
Foi a primeira medalha de Bruno Fratus em Mundiais nadando o seu segundo Mundial de Piscina Longa e já participou de duas edições de Jogos Pan Americanos e um Pan Pacífico.
200 COSTAS FEMININO –
Outra prova espetacular e com grande performance estratégica da australiana Emily Seebohm vencendo com novo recorde da Oceania com 2:05.81. Missy Franklin nadou mais de 100 metros na liderança e foi prata com 2:06.34 enquanto que Katinka Hosszu mostrando claros sinais de cansaço ficou em terceiro com 2:06.84.
Nunca uma nadadora da Austrália havia vencido a prova dos 200 costas. Entretanto, desde o ano passado, as australianas vinham brilhando no ranking mundial. Primeiro com Belinda Hocking, depois com Emily Seebohm. Cansada de bater na trave, Seebohm desencantou e conquistou o título mundial dos 100 costas há dois dias. Agora, nos 200 costas deu uma demonstração de paciência e estratégia.
Aproveitando a boa saída e submerso, Emily liderou o início de prova sendo ultrapassada por Missy já na primeira virada. A americana segurou a liderança até os últimos 50 metros quando consegiu pular do terceiro para o primeiro lugar com uma virada incrível e um submerso fantástico. Foi aumentando até o final até completar a sua vitória e levar o recorde da Oceania com 2:05.81.
Na briga dos parciais:
Emily – 29.50, 1:01.69 (32.19), 1:34.67 (32.98), 2:05.81 (31.14)
Missy – 29.67, 1:01.19 (31.52), 1:33.36 (32.17), 2:06.34 (32.98)
Katinka – 29.74, 1:01.80 (32.06), 1:34.25 (32.45), 2:06.84 (32.59)
Olhando os parciais fica até difícil acreditar que Emily Seebohm foi capaz de tirar 1.3 segundos nos últimos 50 metros de Missy Franklin.
A russa Daria Ustinova chegou na quarta colocação com 2:07.64 estabelecendo novo recorde mundial júnior. A marca anterior era 2:08.74 dela mesmo, feita na semifinal de ontem.
50 PEITO FEMININO SEMIFINAL –

Abaixo dos 30 segundos, só ela. Ruta Meilutyte piorou de 29.74 para 29.98, mas garantiu a liderança para a final. Yulia Efimova da Rússia nadando ao seu lado ficou em segundo com 30.14. A americana Jessica Hardy fez 30.25. Todas as oito nadadoras nadaram na casa do sub 31. A oitava colocada foi Moniek Nijhuis com 30.99.
Amanhã, ninguém se poupa e vamos saber se Meilutyte é capaz de conter os ataques de Yulia Efimova e de Alia Atkinson que, na prova de hoje, nadou apenas se controlando.
100 BORBOLETA MASCULINO –

Sem contar a final do Mundial de Roma de 2009, aquela dominada pelos trajes tecnológicos, assistimos a melhor e mais forte final de todos os tempos dos 100 borboleta em Mundiais. Uma prova emocionante do início ao fim e que não faltam histórias.
Tem a do jovem Joseph Isaac Schooling de 20 anos recém completados que deixou seu país em 2009 para estudar e treinar nos Estados Unidos. Depois de cinco anos no Bolles School na Flórida, passou a fazer parte da equipe da Universidade do Texas onde treina com Eddie Reese, o mesmo lendário técnico de Ian Crocker, um especialista no nado borboleta. No seu primeiro ano universitário, este singaporiano foi campeão dos 100 e 200 borboleta. De estilo esquisito e que parece descoordenado, Schooling passou na frente de todo mundo. Virou os primeiros 50 metros com 23.53 e foi capaz de voltar com 27.43 fazendo 50.96 baixando a sua melhor marca pessoal de 51.40 feito na semifinal. Antes, havia feito o seu melhor nas eliminatórias 51.65. Foram três recordes nacionais e agora fechou com o recorde asiático.
Tem o húngaro Laszlo Cseh, um dos mais brilhantes nadadores daquele país tão tradicional de vitórias em Mundiais e Olimpíadas. Mas Cseh nasceu na era errada, nasceu junto com Ryan Lochte e Michael Phelps que dominam o que Cseh sempre fez de melhor, o medley. Filho de um nadador olímpico, Cseh trocou de técnico. Voltou para o treinador que lhe lançou no alto nível, trocou de prova, investiu mais no borboleta. Estilo que nada feio, sobe alto, mas é eficiente e até acumula uma medalha olímpica. Neste Mundial, Cseh abriu mão do que sempre fez melhor, nem nadou as eliminatórias dos 200 medley onde estava inscrito. Os 400, estes então, nem pensar.
Cseh vai voltar para casa com três medalhas deste Mundial. Um ouro nos 200 borboleta onde fez a sua melhor marca da era pós-trajes. Um bronze que surpreendeu até mesmo a ele e que teve recorde húngaro nos 50 borboleta. E para terminar, uma prata que ele queria dourada, mas foi incapaz de conter o ataque de Chad Le Clos. Passou os primeiros 50 metros em terceiro com 23.76, voltou com 27.11 o suficiente para fazer 50.87, mas distante 31 centésimos do ouro de Chad Le Clos.
Laszlo Cseh se tornou no primeiro nadador da história que subiu ao pódio nas provas de 50, 100 e 200 metros nos estilos no mesmo campeonato. Três medalhas, uma de cada cor.
Quem não era admirador de Chad Le Clos após assistsir a entrevista dele com o repórter Felipe Brisolla, agora é. A simpatia, a simplicidade e a determinação deste nadador é impressionante. Foi capaz de agradecer o elogio pela performance e reconhecer publicamente o erro infantil que faz ao olhar para os lados buscando seus adversários. Foi mais longe, pediu desculpas e ainda avisou aos nadadores que não repitam o erro que ele comete e deixa seu treinador tão irritado. Um exemplo!
E Le Clos está certo, o erro é patético, infantil e injustificável, mas sua determinação é algo que supera isso tudo. O sul-africano treina, treina muito, gosta de treinar. Gosta de ganhar, mas gosta de treinar. Não tem segredo. Passou em segundo nos primeiros 50 metros com 23.72 e voltou com 26.84 para 50.56, sua melhor marca pessoal superando os 51.06 do Mundial de Barcelona. Foi a décima melhor marca de todos os tempos, a segunda sem trajes, só perdendo para os 50.40 de Ian Crocker em 2005.
A prova de borboleta foi linda, a disputa emocionante. O resto dos finalistas, se dividiram em apenas seis décimos que separaram o quarto do oitavo colocado. Entre eles, ainda tivemos um recorde nacional da França para Mehdy Metella com 51.24 chegando na quinta colocação superando os 51.39 que havia feito na semifinal.
Entre tantas boas provas neste Campeonato, os 100 borboleta masculino acabou se tornando na mais emocionante de todas, pelo menos até agora.
50 LIVRE FEMININO SEMIFINAL –
Das 16 semifinalistas, apenas a brasileira Etiene Medeiros não conseguiu nadar para 24 segundos. Etiene foi a mais rápida ao deixar o bloco de partica da sua série, mas foi só isso. O submerso já foi fraco e a parte nadada lhe deixou para trás. Terminou em oitavo na série com 25.03 e 16o lugar no geral.
A melhor marca veio de Cate Campbell da Austrália. Dominando a prova do início ao fim e ainda capaz de dar uma desacelerada no final. Entra com 24.22, um centésimo a frente da holandesa Ranomi Kromowidjojo que na série anterior fez 24.23.
A diferença da primeira para a oitava colocada são apenas três décimos. Diferença que faz prever um equilíbrio imenso para a prova de amanhã. A canadense Chantal van Landeghem foi quem ganhou a oitava e última vaga da final com 24.52. A primeira do lado de fora foi a dinamarquesa Jeanette Ottesen com 24.61. Ela, que junto com Sarah Sjoestroem, tiveram 58 minutos de intervalo de sua final nos 50 borboleta antes desta prova de 50 livre.
50 COSTAS MASCULINO SEMIFINAL –

Camille Lacourt da França está dominando esta prova. Nadou com tranquilidade para 24.27, dois décimos acima do seu melhor feito em 2010. É a sétima melhor marca de todos os tempos além de tempo líder do ranking mundial de 2015.
O americano Matt Greevers na série anterior fez 24.59 e entrou com o segundo tempo. Todo mundo com 24 na final e apenas 66 centésimos separando o primeiro do oitavo classificado.
A última vaga ficou para o norueguês Lavrans Solli com 24.93. O primeiro do lado de fora foi o francês Jeremy Stravius com 24.94.
O brasileiro Guilherme Guido havia empatado com o espanhol Miguel Ortiz Cavanate na décima sexta posição, mas optou por descansar e ficar de fora para concentrar esforços no revezamento 4×100 medley de amanhã.
800 LIVRE FEMININO –

A Era Ledecky se consolidou com uma das mais impressionantes performances da natação feminina em todos os tempos. Depois de vencer os 200, 400 e 1500 livre, batendo recordes mundiais nos 1500 nas eliminatórias e finais, faltavam os 800 livre para completar a série inédita da história dos Mundiais.
E veio de forma especial trucidando o recorde mundial de 8:11.00 dela mesmo do ano passado para incríveis 8:07.39. Ledecky não respeitou a linha imaginária do recorde mundial passando com 4:03.22, tempo que lhe daria o bronze na prova dos 400 livre, e voltou com 4:04.17.
Colocou 10 segundos de vantagem sobre a segunda colocada na prova que fez a sua melhor marca pessoal e ainda quebrou um recorde continental.
Foi a maior diferença que uma vencedora da prova de 800 livre foi capaz de colocar numa vice campeã em Mundiais. A maior diferença eram seis segundos entre Kate Ziegler e Laure Manaudou no Mundial de 2007 em Melbourne.
Em 1975, o americano Tim Shaw venceu as provas de 200, 400 e 1500 livre. Na época não existia a prova dos 800 livre, e da forma como Shaw nadou não é difícil imaginar que a vitória seria inevitável. A alemã Hannah Stockbauer já havia feito as vitórias de 400, 800 e 1500 livre em 2003 e a própria Ledecky em 2013. Agora, o cartel se extendeu até os 200 metros.
Ledecky também continua invicta nas competições internacionais. Nadando na seleção americana desde 2012, ela não sabe o que é perder, nunca conheceu outra medalha que não fosse a de ouro e um lugar que não fosse o mais alto do pódio. Veja a sequência:
2012 – Olimpíada Londres
1o 800 livre
2013 – Mundial Barcelona
1o 400, 800 e 1500 livre, 4×200 livre
2014 – Pan Pacífico Gold Coast
1o 200, 400, 800, 1500 livre e 4×200 livre
2015 – Mundial Kazan
1o 200, 400, 800 e 1500 livre, 4×200 livre
Sua prova foi perfeita, do início ao fim. Bem dividida e milimetricamente calculada. Seus parciais:
28.63, 58.97, 2:00.22 (1:01.25), 3:01.34 (1:01.12), 4:03.22 (1:08.11), 5:04.95 (1:01.73), 6:06.79 (1:01.84), 7:08.28 (1:01.49) e 8:07.39 (59.11).
A neozelandesa Lauren Boyle foi segunda colocada quebrando o seu próprio recorde da Oceania com 8:17.65 e Jaz Carlin da Grã-Bretanha completou o pódio com 8:18.15.
REVEZAMENTO 4X100 LIVRE MISTO –

Revezamento 4x100m livre misto. Campeonato Mundial de Desportos Aquaticos no Kazan Arena. 08 de agosto de 2015, Kazan, Russia. Foto: Satiro Sodre/SSPress
Tem gente que ainda é cético com relação aos revezamentos mistos, mas é inegável que eles são emocionantes.
Todas as oito equipes utilizaram a mesma estratégia e ao que parece, é mais adequada. Colocar os dois homens para abrir, deixando a água limpa para as duas mulheres fecharem.
O Canadá, sem surpresa, abriu na frente com Santo Condorelli 48.19. Os americanos com Ryan Lochte abriram em quinto com 48.79. O Brasil foi o sexto com Matheus Santana 48.96.
A Rússia e o parcial de Alexander Sukhorukov 47.74 colocou o país na liderança. Nathan Adrian fez 47.29 e manteve o segundo lugar para os Estados Unidos. Bruno Fratus nadou para 47.83 depois de passar com 22.20 e deixou o Brasil em quarto.
Veronika Popova manteve o time russo na frente com 53.72. Simone Manuel se aproximou para os Estados Unidos com 53.66. Larissa Oliveira caiu uma posição, colocou o Brasil em quinto com 54.15.
A briga mudou de lado e Missy Franklin tomou a ponta para os Estados Unidos. Quando parecia decidido, lá vem a Holanda com Femke Heemskerk. Missy ainda conseguiu segurar e com 53.31 fechou em primeiro apenas cinco centésimos a frente dos holandeses. Novo recorde mundial para os Estados Unidos com 3:23.05. Daynara de Paula fechou com 54.64 e o Brasil ficou em sexto lugar novo recorde sul-americano com 3:25.58.



Katie, pra mim, já é (ou está muito próxima) de se tornar a(o) atleta mais dominante da história da natação. Vejam bem, Phelps continua sendo, de longe, o maior nadador, notadamente pela capacidade dele de ganhar provas de toda espécie (versatilidade). Mas nunca existiu uma dominância desse nível. Ela nada praticamente sozinha. É um absurdo!
E.T. Phone Home! E.T. Phone Home!
Esse foi só o meu cartão de visita.
Vcs vão vêr o que eu vou fazer lá dentro da casa de vcs.
aushahsuahsuahsuahsuahsuahsuahushaushaushauhsa
Não vai ter Cesinha e Flatulência que salve a pele de vcs.
A Katie Ledecky é sensacional…Poder vê-la nadando dessa maneira e sabendo que a carreira dela está só começando é pra deixar feliz qualquer apaixonado pela natação. Só fico pensando quantos exames antidoping a menina não vai ter que fazer até Rio 2016…
Como foi a primeira medalha internacional do Bruno? Tem varias de Pan e Pan Pacs. Como mesmo indicado, ele ja participou de 2 Pans e 1 Pan Pac. Foi apenas a primeira em mundial.
Boa prova dele. Manaudou ganha praticamente na saida. Impressionante.