O Comitê Olímpico Internacional, o Comitê Paralímpico Internacional junto com o Comitê Tokyo 2020 publicaram quatro Playbooks de orientações e medidas para as pessoas envolvidas nos Jogos deste ano. Os livros de regras dos Comitês Olímpicos Nacionais, da imprensa geral, da imprensa televisiva e dos atletas e participantes trazem orientações gerais e necessárias para o evento no sentido de prevenção e cuidados neste tempo de Pandemia ainda não controlada.

Há duas semanas, perguntado na entrevista coletiva sobre a decisão de termos ou não público, o Presidente do COI Thomas Bach foi incisivo: “estamos focados no que é mais importante, realizar o sonho destes jovens em se tornar olímpicos”.

É a pura verdade, o mais importante da Olimpíada são os atletas, muito mais do que qualquer outra coisa.

Não acho que Bach fugiu do assunto, acho que ele foi direto. A presença do público na Olimpíada é secundário. Não é irrelevante, jamais, mas não é a prioridade. Um artigo do New York Times de ontem destaca o quanto impactou nos jogadores de tênis do Aberto da Austrália com os cinco dias de lockdown. As quadras vazias não têm o mesmo sentimento, opinião unânime.

As bolhas esportivas têm sido as alternativas contemporizadoras para não parar por completo o esporte. Embora alguns eventos ainda estejam “desafiando” o vírus, o sistema tem se mostrado no mais eficiente. Não precisa ser cientista nem expert para identificar que para um vírus como este, pelas suas características de transmissão, aponta que quanto menos circulação, menor contaminação.

Assim, a conclusão é simples. Talvez dura, mas óbvia. Tenho muitos conhecidos, amigos, e sei de todo o seu esforço e vontade de estarem na Olimpíada de Tóquio, mas estes Jogos são dos japoneses. Não há condições de abrir as fronteiras que estão fechadas desde o final do ano passado e atrapalhar o que está dando certo.

Nesta segunda-feira, dia 15 de fevereiro de 2021, é a primeira vez em três meses que o Japão teve menos de 1.000 casos de Coronavírus num dia. Isso não acontecia desde 16 de novembro. Isso é fruto do esforço (e sofrimento) nas restrições e medidas que lá estão aplicadas.

O país está sob o Estado de Emergência desde 8 de janeiro. São 11 das 47 prefeituras sob esta condição, um quarto do país, que tem a população mais velha do planeta. Isso mesmo, 28,2% dos japoneses tem mais de 65 anos de idade. Para entender este número basta citar que o Brasil tem apenas 8,5% nesta faixa.

Os japoneses, que foram uns dos primeiros a sofrerem com o impacto do Coronavírus, hoje ostentam números positivos. A média de mortes por milhão de habitante é de 55, quatro vezes menor do que a brasileira. Mesmo assim, eles passaram de 5 mil para 6 mil mortes em 11 dias e de 6 mil para 7 mil em 12 dias.

A Pandemia não acabou! E a sociedade japonesa sabe disso. Os mais jovens do país ainda refutam as medidas aplicadas e estão neles os maiores números de contágio.

Depois daquele número de 80% da população japonesa que não quer a Olimpíada em julho deste ano, a agência Kyodo News fez outra pesquisa na primeira semana de fevereiro. Os números de agora são ainda piores. Apenas 14% são a favor dos Jogos começarem no dia 23 de julho, isso mesmo 14%!

Nem a aprovação da vacina Pfizer pelas autoridades de saúde no domingo, nem a previsão de início de vacinação para esta semana contemporiza o drama da Pandemia no Japão.

Está na hora de reconhecermos o esforço dos japoneses. Vale lembrar que Tokyo 2020 será a mais cara Olimpíada de Verão da história. Números oficiais falam em 15,8 bilhões de dólares, mais do que o dobro do previso no ato da escolha da sede em 2013.

Com tamanho sacrifício, e débito, a falta de popularidade da Olimpíada, o mundo precisa reverenciar o esforço dos japoneses. Está na hora de aceitarmos que as fronteiras devem permanecer fechadas, que somente os atletas e participantes tenham acesso controlado ao país.

A Olimpíada é deles. Que os estádios, ginásios, quadras e piscinas sejam contemplados a população japonesa. Seria uma decisão nobre, uma demonstração de gratidão para tamanho esforço, tamanho sofrimento.

Mais do que nunca, deem a Olimpíada aos japoneses. Assistiremos pela televisão e o esporte continuará sendo celebrado em todo planeta.

Por Alex Pussieldi, editor chefe Best Swimming.

5 respostas
  1. Sandro
    Sandro says:

    Se não pode ter público, que não temha Olimpíada! É totalmente patético Olimpíada sem público! Sou totalmente contra Olimpíada sem público, melhor cancelá-la então!
    Olimpíada sem público é como casamento sem esposa, Romeu e Julieta sem queijo com goiabada, ou seja, não existe e não tem a razão de ser!

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      • Sandro
        Sandro says:

        Entendi Coach. Mas considero que uma Olimpíada só com público japonês vai contra o próprio espírito olímpico de confraternização entre os povos.
        Se for assim, que se faça a Olimpáida na Coreia do Norte só com público norte -coreano e só com atletas norte-coreanos, já que esse país já está acostumado a ser o mais fechado e isolado do mundo.
        Uma Olimpíada com atletas do MUNDO INTEIRO só para os japoneses soa pra lá de estranho e parece ser muito “PRECONCEITUOSO” e “EXCLUDENTE”.
        Nem a Alemanha Nazista na Olimpíada de 1936 cogitou fazer uma Olimpíada única e exclusamente só para exepctadores alemães da raça ariana.
        Uma Olimpíada com os melhores atletas do mundo só para um público japonês pega muito mal.
        Ou se faz uma olimpíada com público ‘DE VERDADE” ou que se cancele a Olimpíada, porque eu acho que se é para ter somente os japoneses na arquibancada, então os atletas tem que ser somente japoneses, o que seria também um absurdo!
        Então por isso tudo, se é para ter todas essas limitações e privação de público que se cancele logo essa Olimpíada.

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    • Heloisa Oderich
      Heloisa Oderich says:

      Olá Sandro, não sei se fostes atleta, mas eu fui … Não muito boa, o que de certa forma me beneficiava de só ter treinos diários das 18.30 as 21.00, quando as estrelas de nosso time treinavam também das 05.00 as 07.00 AM, antes de ir para o colégio. E nenhum deles nunca conseguiu índice para poder sequer fazer parte do time. Devemos este espetáculo a todos atletas que conseguiram seus índices, aos que não conseguiram mas tentaram, aos familiares que tiveram que juntos se sacrificar ao viver junto a disciplina, e também aos que um dia estarão representando nosso país inspirados pelo Bruno Fratus e tantos outros atletas espetaculares como ele. O mundo mais do que nunca precisa de alegria, energia e inspiração.
      Olha que lindo o comercial que a Nike está fazendo nos EUA
      https://musebycl.io/sports/nikes-new-ad-editing-marvel-and-maybe-best-covid-spot-yet

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