Amanhã, sexta-feira, 14:30, de forma virtual, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva da CBDA se reúne para analisar e deliberar sobre o caso dos 100 metros nado livre masculino da Seletiva Olímpica. Veja aqui todos os detalhes como irá acontecer e o quais os possíveis desdobramentos do caso.

O QUE ESTÁ EM DISPUTA
Após o comunicado da ABCD, indicando que o nadador André Calvelo de Souza, vencedor dos 100 metros nado livre na Seletiva Olímpica teve teste analítico adverso no dia 18 de março, a CBDA anulou provisoriamente todos os resultados do nadador conforme determinava o documento. Tal determinação veio um dia após a disputa da final dos 100 livre. Ao entender que se tratava de uma seletiva, e não um campeonato, a CBDA optou por dar nova chance de tomada de tempo para o 9o colocado das eliminatórias Gabriel Santos. Esta tomada de tempo lhe deu a segunda vaga da prova dos 100 livre e alterou a formação do revezamento.

COMO ESTÁ HOJE
1o tempo da prova Pedro Spajari
2o tempo da prova Gabriel Santos (na tomada de tempo)
Classificado para o revezamento Breno Correia 48.74
Classificado para o revezamento Marcelo Chierighini 48.83
5o tempo para o revezamento Felipe Ribeiro 48.87

MANDADADO DE GARANTIA E LIMINAR
Antes mesmo da disputa da tomada de tempo de Gabriel Santos, a Unisanta entrou com um mandado de garantia assinado pelos advogados Marcelo Franklin e Thomas Sousa Lima Mattos de Paiva. No documento de 10 páginas, um pedido de liminar para suspender a tomada de tempo e um pedido expresso para o não anúncio da formação da equipe de revezamento até o julgamento do mérito.
O Presidente do STJD, Alessandro Kishino, emitiu a liminar parcial concedendo apenas o não anúncio da equipe do revezamento, não impedindo a convocação de Gabriel Santos como segundo nadador da prova.

SESSÃO DO STJD
Amanhã, de forma virtual, a partir das 14:30, o caso será analisado reunindo os membros auditores do STJD além das partes interessadas, no caso Unisanta, CBDA e o STJD decidiu emitir um documento ao nadador Gabriel Santos do Pinheiros que será representado pelo advogado do clube.
No total são nove auditores, porém um quorum mínimo de cinco é necessário para a realização da sessão. Um dos membros, Paulo Bracks, já solicitou o seu desligamento do órgão por questões profissionais. Bracks atualmente é o diretor executivo de futebol do Internacional de Porto Alegre.
O auditor relator é o Dr. Marcos Campos e o Presidente do STJD Alexandre Kishino é quem faz o último voto.

QUANDO SAI A DECISÃO
Amanhã mesmo. O STJD está analisando o caso de forma célere e através do seu pleno que deve emitir logo após as deliberações a sua decisão final. Não há meios de recursos na justiça desportiva dentro do Brasil, assim qualquer parte que buscar uma apelação teria de fazer isso na esfera do Tribunal da Corte Suprema do Esporte, CAS/TAS.

LEGITIMIDADE DE REPRESENTAÇÃO
Um dos pontos a serem discutidos vai ser a legitimidade de representação neste caso. Estão em disputa vagas da Seleção Brasileira em uma Seletiva Olímpica onde não havia a representatividade de clubes. Um dos argumentos a ser deliberado vai ser se a Unisanta é mesmo ou não a responsável por defender os direitos do seu atleta. Caso esta legitimidade seja contestada, o processo todo pode ser indeferido.

MUDANÇA APÓS O FIM DA PROVA
Um dos argumentos mais discutidos é o de ter sido decidido pela CBDA da realização da Tomada de Tempo de Gabriel Santos sido feita “após o fim da prova”. Na defesa pela decisão da CBDA, a prova não teria terminada, afinal ainda existe um atleta a fazer tomada de tempo no dia 12 de junho.

POSSIBILIDADE DE ATENDER AS DUAS PARTES
Gabriel Santos conquistou a segunda vaga na prova, e teria sido prejudicado ao ficar impedido de nadar a final, da mesma forma, Felipe Ribeiro teria direito a vaga no revezamento ao ter completado a prova terminando nos quatro primeiros lugares. Uma decisão possível seria contemplar as duas partes, com Ribeiro sendo convocado como nadador reserva e isso teria duas consequências. Uma delas iria contra o próprio regulamento da Seletiva que determinava que o reserva do 4×100 livre seria convocado apenas se atingisse o índice A da prova (48.57) e a segunda é que afetaria diretamente o número de vagas disponíveis para as nadadoras que aguardam suas vagas pela repescagem.

O QUE PODE MUDAR TUDO
Dificilmente o caso de André Calvelo Souza vai ser julgado antes da Olimpíada, e mais difícil ainda ele ser completamente absolvido, o caso é complexo. Porém, sua absolvição tornaria toda esta discussão sem efeito, mantendo o resultado de prova como oficial.
Vinicius Assunção vai nadar a prova dos 100 metros nado livre em 12 de junho, caso nade abaixo dos 48.83 de Marcelo Chierighini ou dos 48.87 de Felipe Ribeiro também pode causar outra discussão nesta disputa.

OPINIÃO BEST SWIMMING
O caso é complexo e até mesmo os auditores reconhecem a dificuldade da decisão. Será difícil atender a todas as partes. A CBDA tentou dar ao nono colocado a chance que ele havia perdido por conta de um resultado anulado das eliminatórias. A Tomada de Tempo pode ter sido legal, mas colocar o atleta na raia 4 é bem questionável. Uma coisa é certa, a decisão sai amanhã, mas não vai agradar a todos.

7 respostas
  1. Flávio Mildemberg
    Flávio Mildemberg says:

    Espero que essa experiência tenha servido pra alguma coisa. CBDA continua se complicando à toa. Quando as tomadas de decisões são equivocadas, o preço a se pagar é alto. Várias definições equivocadas na minha opinião, dentre elas utilizar seletiva única, esse sistema funciona nos States, na Austrália onde o problema do atleta não é fazer o índice, mas sim conseguir entrar na equipe, no Brasil a dificuldade da turma é atingir o índice, colocar uma pressão desta magnitude no atleta não contribuiu em nada, só piorou, aliado a isso, tivemos pandemia, atletas foram prejudicados na preparação e pra piorar a direção da entidade escolheu uma piscina aberta para realizar a competição mais importante do semestre, deixando atletas expostos as condições climáticas. Tá aí o resultado.

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    • Sandro
      Sandro says:

      Tivemos 18 atletas classificados na Selwtiva Única, quando vc escreve isso você está desmerecendo o feito de DEZOITO nadadores que conseguitam sua classificação olímpica nessas condições!
      A Seletiva Única veio pra ficar e isso não é novidade pra nenhum nadador e pra ninguém pois foi decidido sobre isso desde 2017, então houve twmpo suficiente pra se prepararem!
      Ao contrário do que você disse, a Seletiva Única não serve somente para EUA e Austrália não, serve para o Brasil sim, pois nossos tem SIM que competir sob pressão a fim de ficaram mais cascudos, mais preparados para situações de pressão, até porque quando os brasileiros chegarem às olimpíada s, eles irão competir com americanos e australianos que já estão acostumados com a pressão da Seletiva Única, então, os brasileiros tem que ser fortes mentalmente pra enfrentar a pressão de uma Seletiva Única.

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  2. Sandro
    Sandro says:

    Considero que a melhor solução para não ser injusto com Felipe Ribeiro, que obteve o tempo necessário para se classificar para a final dos 100m livre no dia certo e que nadou a final dos 100m livre também no dia certo, competindo sob pressão de todos os concorrentes em volta e conquistou sua vaga no revezamento, é que tanto Felipe Ribeiro quanto Gabriel Silva Santos, então, vão juntos para Tóquio.
    Porém, tudo depende do desempenho de Vinicius Assunção que, devido ao Corona Vírus,nadará sua seletiva em 12 de Junho de 2021.
    Até o momento, Pedro Spajari com 48.31 s e Gabriel Silva Santos com 48:49 s tem os tempos para nadar a prova individual dos 100 livre em Tóquio, porém, se Vinicius Assunção fizer um tempo menor que 48:49 s, ele garante vaga não só na prova individual como no revezamento. E se fizer um tempo abaixo de 48.83 s, estaria garantido, pelo menos, no revezamento.
    O fato é que o revezamento 4×100 m livre é o nosso revezamento mais tradicional e mais forte, e as regras da FINA permitem levar 6 nadadores para esse revezamento. Desta forma, eu levaria todos os 6 nadadores, caso Vinícius Assunção também se classifique, para evitar qualquer tipo de polêmica.
    Nadaria as eliminatórias do 4x100m livre com Marcelo Chierighini, Breno Correia, Felipe Ribeiro e Vinícius Assunção. E para final, trocaria Felipe Ribeiro e Vinícius Assunção por Pedro Spajari e Gabriel Santos Silva, e, desta forma, respeitaríamos as regras da FINA e se evitariam injustiças com o Felipe Ribeiro.
    Na Seletiva Americana (US Trials) já está bem claro que os 6 primeiros colocados nos 100 metros e 200 metros livre estão diretamente classificados para as equipes de revezamento 4×100 e 4 × 200 m livre dos EUA.
    As regras da FINA garante que cada país pode inscrever 2 atletas adicionais apenas para revezamentos (“Atletas apenas de revezamento”), para cada equipe de revezamento já oficialmente classificado para a Olimpíada de acordo com a seguinte escala de revezamentos classificados:
    1 revezamento -2 atletas adicionais
    2 revezamentos – 4 atletas adicionais
    3 revezamentos 6 atletas adicionais
    4 revezamentos – 8 atletas adicionais
    5 revezamentos 10 atletas adicionais
    6 ou 7 revezamentos – 12 atletas adicionais
    Atletas inscritos apenas para nadar revezamento, obrigatoriamente devem nadar no revezamento seja na eliminatória, seja na final de pelo menos um dos revezamentos para os quais determinado país esteja classificado. Se um atleta apenas de revezamento não competir, isso levará à desqualificação da última equipe de revezamento para o
    qual ele era elegível para competir. Isso não é aplicável em caso de lesão médica ou emergência após
    confirmação do Comitê de Medicina Esportiva da FINA.
    Atualmente, com 3 revezamentos oficialmente classificados, o Brasil tem o direito de levar 6 atletas só para nadar revezamento. Com a provável classificação do 4×100 medley misto e do 4×100 livre feminino, esse número aumentaria para 10 atletas só revezamento.
    Caso o 4×100 livre feminino se classifique pelo ranking, as nadadoras, de acordo com a seletiva, seriam: Larissa Oliveira, Ana Vieira, Stephanie Balduccini e Etiene Medeiros.
    E se o 4×100 medley misto também se classificar pelo ranking, poderia nadar com a seguinte formação: Etiene Medeiros no costas, Felipe Lima no peito, Mateus Gonche no borboleta e Larissa Oliveira fechando no crawl.

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    • Daniel
      Daniel says:

      Análise perfeita, deveríamos privilegiar os revezamentos com chance de medalhas e completar os outros com oque der.
      Levar atletas para participar ou ganhar experiência não deveria ser a prioridade, esporte de alto nível é resultado, muitas vezes injusto mas temos que mudar a mentalidade se quisermos subir nosso nível.

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  3. Daniel
    Daniel says:

    Me parece que esse problema não acabará tão fácil , ainda mais se Vinicius conseguir bater a marca, aí vai complicar mto mais .

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  4. ALEXANDRE ALENCAR DA COSTA
    ALEXANDRE ALENCAR DA COSTA says:

    E a culpa de tudo isso é o escândalo do dopim. Se não fosse isso, não teríamos problemas…
    Alegar contaminação de suplementos já esta meio batido, mas é um perigo real. Complicadíssimo o caso. Tomara que no julgamento contemple todos os envolvidos pois ninguém ali é culpado.

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