Foi numa sessão das Nações Unidas, em outubro de 2015, em plena crise de refugiados explodindo na Europa que o Presidente do Comitê Olímpico Internacional Thomas Bach anunciava a criação do Time dos Refugiados Olímpicos (ROA). A iniciativa ganhou aplausos e eco no mundo todo, integrando o esporte a um dos maiores problemas do mundo atual.

Meses depois, a corredora Rose Lokonyen que junto com sua família fugiu da Guerra Civil no Sudão do Sul quando tinha apenas 10 anos de idade, entrava no Maracanã carregando a bandeira do COI seguida por outros nove atletas de cinco países que iriam competir nos próximos dias em seis modalidades esportivas.

O movimento foi contagiante e emocionante. O COI dava um sinal de cidadania e preocupação com uma crise que só tem feito aumentar. Atualmente, segundo a ONU, são 25,4 milhões de refugiados ao redor do mundo.

Pela própria ONU, refugiado é definido como a pessoa que é obrigada a deixar o seu país escapando de uma guerra, perseguição ou um desastre natural e impedida de voltar. Nestas perseguições inclusas razões como raça, religião, nacionalidade, posicionamento politico ou problemas econômicos e sociais.

Estes problemas são mundiais, mas bastante identificados em algumas determinadas nações. Pelos dados da ONU, 68% dos refugiados são de apenas cinco países: Síria, Venezuela, Afeganistão, Sudão do Sul e Myanmar.

Se o problema dos refugiados segue no mundo, também segue o compromisso do COI em poder oferecer uma mensagem positiva na conscientização em relação a estas vítimas. Assim, o Time dos Refugiados foi confirmado para Tóquio em 2018 e anunciado com 29 atletas faltando 45 dias para a abertura da Olimpíada.

Mesmo com o triplicar das oportunidades (de 10 para 29) aos atletas refugiados, sabe-se que o movimento é simbólico, e ínfimo diante de um problema de grande dimensão.

O que chama a atenção é repetir cinco dos 10 atletas do Time dos Refugiados do Rio 2016 para Tóquio. O próprio conceito do “refugiado” fica desvirtuado ao mantermos esta condição eternamente.

Alguns destes refugiados agora são imigrantes, ganharam nova patria, nova cidadania, se integraram a sociedade e assim devem ser tratados. A mensagem que o COI quer dar, e é super válida, é de oferecer esta oportunidade a novos refugiados que se tornarão novos imigrantes e este ciclo segue.

Embora todos os olhos fiquem para quem vai para os Jogos Olímpicos, o Time dos Refugiados é um programa muito bem organizado, com fundos diretos do Comitê Olímpico Internacional onde os atletas beneficiados recebem uma bolsa que inclui valores que cobrem custos de treinamento, competição, alimentação e estudos. É um programa de sucesso, e que merece elogios, mas poderia e deveria ser ampliado e não ficar restrito aos mesmos beneficiados.

São milhares, talvez milhões de jovens atletas refugiados que gostariam de ter esta oportunidade que o COI, com as melhores intenções possíveis, ainda não se deu conta do quanto seria bom fazer esta renovação.

Assim, se em 2016 eram 10 atletas de cinco países e seis modalidades esportivas, que 2020 fosem outros novos atletas, de novos países e outras modalidades. Ao repetir, mesmo que o propósito seja de bom grado, fica claro que este processo precisa ser ampliado. Só assim, criaremos mais oportunidades, mas principalmente maior visibilidade levando a mensagem para um público maior promovendo o que todos queremos, uma vida melhor para todos.

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