Entramos na fase das últimas semanas que antecedem a realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Começa no dia 23 de julho, com aprovação ou não do público japonês, sem a presença do público estrangeiro e cheia de controles com muitas exigências sanitárias, é a Olimpíada do Novo Normal. Ainda não temos uma definição da presença do público japonês ou não, algo que deve ser conhecido nos próximos dias.

A Pandemia ainda engatinha no Japão. Estamos em 5,2% da população vacinada abaixo até da média mundial que indica 6,2%. Mesmo assim, e a graças aos rigorosos controles sanitários, Estado de Emergência e principalmente, a cultura japonesa de uso de máscara, os números de casos e mortes de Covid seguem caindo. São quase seis semanas de queda.

O COI e o Comitê Organizador Tokyo 2020 seguem publicando os “playbooks” finais com as informações e diretrizes para todos os envolvidos, desde atletas e delegações, até imprensa e organização. Com muitos cuidados, o show não pode parar!

E não pode mesmo!

Ainda mais para a NBC, maior patrocinadora dos Jogos Olímpicos e que tem direitos adquiridos até 2032. É o maior contrato do COI, e se juntarmos todas as TVs do mundo não dá o que a rede americana paga. E quem paga, manda.

Participando da conferência virtual da Credit Suisse Investor Conferecen, o diretor executivo da NBCUniversal revelou números e expectativas que reforçam ainda mais a intenção de se fazer esta Olimpíada, de todo jeito. Shell revelou que esta “será a Olimpíada de maior lucro da história da NBC”.

Normalmente, NBC arrecada mais de 1 bilhão de dólares em vendas, direitos e produtos associados nas produções e transmissões dos Jogos Olímpicos. No Rio 2016, que foi o maior lucro da história, a NBC arrecadou 1,3 bilhões de dólares e teve um lucro líquido de 250 milhões de dólares.

Mesmo assim, a audiência do Rio não foi o sucesso todo esperado e prometido aos anunciantes. Até mesmo uma compensação em futuros anúncios foi necessário para compensar estes números. Em cima desta relação com os anunciantes, a NBC volta para Tóquio ainda mais forte e prometendo uma cobertura ainda maior, um recorde.

Entre as plataformas digitais e a cobertura de TV, nas diferentes estações tanto da TV aberta como fechada, são 7 mil horas de transmissão ao vivo distribuídas nos 17 dias de disputa.

Com a Pandemia, muitas pessoas ainda em casa, sem a presença de fãs nas arenas, a expectativa de que esta seja a Olimpíada da TV. A projeção faz sentido e a necessidade de capitalizar verba mais ainda.

Esta cadeia é financeira. Direitos de TV representam 75% do orçamento do Comitê Olímpico Internacional que em ano olímpico “salva” as federações internacionais de esporte. A Assembleia da FINA recentemente realizada em Doha, no Catar, teve a publicação das contas de 2020 e uma queda de faturamento da entidade em mais de 20 milhões de dólares. Esta queda foi a terceira consecutiva queda anual de arrecadação.

E isso é geral. As federações internacionais de esporte sofrem por três anos, ganham um incremento nos anos olímpicos e voltam a padecer por mais três temporadas. A Olimpíada faz diferença para os atletas, mas também para os cofres das entidades esportivas.

Não fica muito difícil de concluir que um novo adiamento ou cancelamento seria um desastre nos cofres, alguns até irreversíveis. A Olimpíada é por todos nós decantada como a festa do esporte, da união dos povos, da celebração mundial. Porém é inegável que se trata de um grande negócio, e a saúde financeira das entidades, desta vez ficou bem claro, está muito mais evidenciada que a saúde dos atletas e participantes.

Por Alex Pussieldi, editor chefe da Best Swimming.

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