Nas últimas semanas, do NCAA, o Campeonato Universitário Americano, e a Seletiva Americana, foram oito (por enquanto), atletas da Seleção Americana Principal que anunciaram sua aposentadoria. Seis deles olímpicos, todos com medalhas internacionais em competições de primeira linha e uma característica que preocupa:

Bowe Becker 24 anos de idade, Maxime Rooney 24, Dean Farris 24, Townley Haas 25, Andrew Seliskar 25, Lea Neal 27, Andrew Wilson 28 e Brooke Forde, a mais jovem, 23 anos de idade.

Isso é muito preocupante!

Para se entender melhor o contexto, as finais olímpicas de 2004 para cá, estamos falando de cinco Olimpíadas, apresentam média de idade dos finalistas entre 22-24 anos para os homens, 21 a 23 anos para as mulheres. Observando a idade dos atletas americanos identifica-se que a grande maioria deles ainda tinha muito, mas muito para produzir no esporte.

Qual seria o motivo para o abandono tão prematuro?

Vamos lembrar que estamos falando de natação americana, mas os problemas, por incrível que pareça, muitas vezes são os mesmos, embora em diferentes escalas. A verdade é dura e crua, não há dinheiro em nosso esporte.

Se a poderosa natação americana, quase 300 mil atletas filiados, não consegue segurar e oportunizar condições para manter alguns de seus melhores atletas, imagina no Brasil, e em outras partes do mundo.

Tem gente que vai citar a Pandemia, mas a verdade é que o abandono prematuro de atletas de alto rendimento está ligado diretamente a falta de viabilidade financeira do esporte e até mesmo uma certa insegurança em relação ao futuro destes atletas.

Trocando em miúdos, talvez estejamos falando não só de oito ex-atletas, mas de oito novos desempregados num sistema profissional extremamente competitivo e com dificuldades cada vez maiores.

Quase todos citados que estão se aposentados também “desfrutaram” da oportunidade de participar da ISL, a Liga Internacional de Natação. Ainda esperam pelos pagamentos atrasados e não identificaram na Liga a oportunidade que faltava para dar seguimento e vida longa a suas carreiras.

A natação nos Estados Unidos está longe de ser profissional. Atletas precisam pagar suas despesas de treinamento, viagens, competições e poucos, muito poucos, quase nenhum ainda tem algum patrocínio. Ao mesmo tempo que você tem um Caeleb Dressel que deve faturar entre 4 a 5 milhões de dólares (estimativa), os oito atletas que se aposentaram combinados não chegam a 500 mil dólares.

Esta é a realidade da natação, querendo ou não, é a verdade. E os oito aposentados identificaram que as oportunidades começam a ser cada vez mais difíceis e chegou a hora de abrir novos caminhos, buscar novos desafios, se reinventar, mas principalmente fazer alguma coisa que dê futuro.

A natação, infelizmente, não tem.

Por Alex Pussieldi, editor chefe da Best Swimming.

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