Ultimamente só falamos, pensamos e sonhamos com a Copa do Mundo. Nem a eliminação do Brasil diminuiu nossa atenção e interesse pela Copa. Seja para torcer pelos outros ou secar a Argentina, continuamos com a mente na Copa.
Entretanto, hoje, 14 de julho de 2026, marca a contagem regressiva de dois anos para o maior evento esportivo do mundo, os Jogos Olímpicos de Los Angeles. É lá que estarão nossos sonhos e aspirações. Faltando estes 365 + 365 dias, decidi escrever sobre onde estamos hoje e o que podemos esperar, ou desejar, ou sonhar, seja lá o que passar pela sua cabeça.
Guilherme Caribé, aos 23 anos de idade, é o primeiro nome que vem à nossa cabeça. Nosso melhor nadador da atualidade vive o melhor momento da sua carreira, e sobre ele estarão todas as expectativas. É lógico que isso vem acompanhado de pressão, muita pressão.
Caribé, mesmo se graduando este ano no curso de Comunicação da Universidade do Tennessee, decidiu ficar por lá. Vai treinar com o grupo comandado por Matt Kredich, head coach da universidade, a equipe profissional do Tennessee Aquatics. Ambiente reservado, controlado e de boa disputa. Afinal, o recordista mundial dos 50m livre em piscina curta, Jordan Crooks, das Ilhas Cayman, está de volta e vai “duelar” diariamente com Caribé até 2028.
Será a segunda Olimpíada de Caribé, agora não só mais experiente, mas também com maiores aspirações. No ano passado, o nadador baiano terminou a temporada como o terceiro melhor do mundo nos 100m livre e, este ano, conseguiu vencer, com facilidade, o seu primeiro título brasileiro absoluto sem estar descansado. O giro pela Itália também mostrou um Caribé mais inteligente, capaz de controlar eliminatórias e mudar a estratégia para a prova dos 100m livre, coisas que não são muito comuns de se encontrar.
Mas e os outros, cadê os outros?
Guilherme Costa, nosso melhor resultado em Paris 2024, recordista das Américas e quinto colocado nos 400m livre, a apenas 26 centésimos da medalha, ainda não se “encontrou”. Ele já era o nadador mais velho daquela final e, desde então, o mais próximo que chegou daquele fantástico 3:42.76 foi acima dos 3:45. Mesmo assim, Cachorrão permanece, por enquanto, como nossa segunda força para Los Angeles.
Existem outros emergentes, vários melhorando marcas e entrando no cenário internacional, mas ainda com tempos que não os colocam em condição de disputar uma final olímpica.
No feminino, a dupla Maria Fernanda Costa e Stephanie Balduccini segue como nossa maior esperança. As duas se alternam, mais recentemente com melhores resultados para Mafê, que mostrou total adaptação à nova fase treinando na Austrália. Enquanto isso, Stephanie, que na temporada passada bateu o recorde sul-americano dos 100m livre, tornando-se a primeira mulher do continente a quebrar a barreira dos 54 segundos, teve um ano diferente. Trocou de treinador e não conseguiu nadar bem nem nas jardas, nem nos metros.
Assim como no masculino, temos novas caras, todas em busca de mudar de nível. E precisam!
Os índices são intimidadores, esta é a palavra. Para se classificarem para Los Angeles 2028, nossos nadadores e nadadoras precisarão mudar de patamar. Se não aceitarmos esse tipo de realidade, não estaremos lá, ou melhor, estaremos com um grupo bem reduzido. Isso saberemos na nossa Seletiva Nacional, em maio de 2028.
Os critérios das provas de 50 metros dos estilos são absurdos, patéticos. Devidamente criticados múltiplas vezes por este espaço, o passaporte olímpico dessas provas acontece na Copa do Mundo de 2027. Ou seja, em outubro de 2027, vamos saber se teremos ou não nadadores nessas provas em Los Angeles. Serão três etapas da Copa do Mundo pela Europa, e cada uma classificará apenas seis nadadores, nas seis provas — 50m costas, 50m peito e 50m borboleta, no masculino e no feminino. Os demais que desejarem nadar essas provas em Los Angeles terão de entrar pelas outras provas.
Faltando dois anos para Los Angeles, a maior oportunidade de se tornar olímpico para a natação brasileira está nas provas de revezamento. E, mesmo assim, as condições são menos favoráveis do que em Paris 2024. Isso mesmo, diferentemente das últimas Olimpíadas, não teremos mais 16 equipes por revezamento; serão apenas 12, e todas elas serão conhecidas nas eliminatórias do Mundial de Esportes Aquáticos de Budapeste 2027.
Assim, é necessário iniciar um projeto urgente, urgentíssimo, para montar e apurar bons revezamentos visando ao Mundial do próximo ano. Precisamos estar com todos os nossos revezamentos — 4x100m e 4x200m livre, 4x100m medley masculino e feminino, além do 4x100m medley misto — em grande forma. Não precisamos esperar o Troféu Brasil 2027, a seletiva nacional, para começar a pensar nisso. É para ontem!
Nas águas abertas, as dificuldades também são grandes, talvez ainda maiores. Nossas estrelas Ana Marcela Cunha e Viviane Jungblut vivem uma temporada diferente. Ana Marcela está se preparando para cruzar o Canal da Mancha no próximo mês. Viviane ainda se recupera de uma cirurgia no ombro. As duas, em grande forma, podem ser protagonistas; resta saber se teremos tempo até lá.
Os homens, como sempre nas águas abertas, têm outra perspectiva e realidade. Aqui é muito mais uma luta pela classificação do que qualquer outra coisa. Existem nomes em plena evolução: Matheus Melecchi, Victor Moreno, Leonardo Macedo, Lucas Davesac, Arthur Aguiar… Pode escolher. O que queremos mesmo é ter um deles em Los Angeles.
São apenas 22 vagas de classificação para as águas abertas de Los Angeles. Três serão destinadas aos primeiros colocados dos 10km do Mundial de Budapeste, mais a repescagem da prova Seletiva Olímpica, em maio de 2028.
O esporte de alto rendimento é assim: são poucos os convidados e, em número ainda menor, os escolhidos. Olimpíada não é, nunca foi, lugar para participar ou ganhar experiência. É um destino sublime do esporte, para onde somente os gigantes e predestinados conseguem chegar. Para brilhar neste cenário de tanta excelência, precisamos ter consciência de que os parâmetros exigem um outro tipo de abordagem.
Como tudo isso é tão grandioso, tão sublime, que os Deuses do Olimpo estejam do nosso lado.
Alex Pussieldi, Editor Chefe da Best Swimming


