Casilda é uma pequena cidade no sul da Província de Santa Fé, são apenas 35 mil habitantes. Entre eles, um de seus mais famosos filhos é o nadador argentino Federico Grabich. Ele leva isso com orgulho e nas competições importantes não é raro ver uma enorme bandeira saudando o seu filho notável.

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Festa na chegada de Grabich a Casilda depois de Kazan

Grabich completou 26 anos poucos dias antes do Sul-Americano de Assunção, no Paraguai. Lá, foi o único nadador da competição que ganhou cinco medalhas de ouro entre as seis que conquistou. Em 2014, no último Sul-Americano também havia sido destaque com o recorde na história do torneio, 10 medalhas, cinco de ouro. Em apenas quatro Sul-Americanos já acumula 26 medalhas.

Campeão pan-americano em narração da TV argentina 

https://www.youtube.com/watch?v=yoZRdDeQPBo&nohtml5=False

Porém, estas estão longe de serem as mais importantes em sua carreira. O ano passado foi especial, primeiro nos Jogos Pan Americanos quando venceu a prova dos 100 metros nado livre repetindo o ídolo e compatriota José Meolans campeão da mesma prova no Pan de 2003. Grabich apagou quase todos os recordes nacionais de Meolans. Na longa, só resiste o da prova dos 50 livre (22.18) que Meolans fez no Campeonato Argentino de 2008. Grabich fez 22.25 no Pan do ano passado, apenas sete centésimos.

Na volta de Kazan a Argentina esteve em inúmeros programas de TV 

Esta semana se comemora 14 anos do título mundial em piscina curta de José Meolans, 21.36 nos 50 metros nado livre no Mundial de Moscou, na Rússia. Meolans foi quatro vezes olímpico, inúmeras vezes campeão e recordista sul-americano, mas não conseguiu o que Grabich conquistou em Kazan, na mesma Rússia, no ano passado.

Pódio100 livre em Kazan (AP Photo/Sergei Grits)

Pódio100 livre em Kazan (AP Photo/Sergei Grits)

A medalha de bronze nos 100 metros nado livre em Kazan com 48.12 é a única medalha da história da natação argentina em Mundiais de Longa. Grabich nunca tinha nem sido finalista, foi um ano especial.

Pódio 100 livre em Toronto

Pódio 100 livre em Toronto

Existe algo na carreira de Grabich que também faz dele especial. Está com a mesma treinadora, Monica Gherardi, na mesma modesta piscina de 25 metros, no mesmo clube, o pequeno Club Atletico Alumni, na sua pequena Casilda. Grabich até tentou sair, há alguns anos foi para a Espanha, treinou com Fred Vergnoux, famoso treinador que é o responsável pelo treinamento de Mireia Belmonte. Não durou nem um semestre.

Aniversário de Grabich na semana passada com a treinadora Monica Gherardi

Aniversário de Grabich na semana passada com a treinadora Monica Gherardi

Monica Gherardi sabe tudo de “Fede”. Começou a trabalhar com o pequeno nadador quando ele tinha nove anos de idade, já vão 19 anos juntos. Ela mesmo, está completando 39 anos como técnica do mesmo clube, uma relação que já virou familiar. Aliás, tudo é assim em Casilda, onde todos se conhecem e todos conhecem muito a Fede.

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Grabich foi revelado no Mundial Júnior de 2008 em Monterrey, no México. Junto com ele estavam outros dois nadadores que também já estão classificados para a Olimpíada do Rio 2016: o fundista Martin Naidich e Virginia Bardach. Lá, Grabich chegou as finais dos 50 costas, ficou em 5o lugar com 26.39. Nos 100 costas ficou na semifinal, 14o 57.18 e nos 50 livre não passou da eliminatória em 21o lugar com 23.91.

A intimidade de Grabich, matéria da TV argentina

https://www.youtube.com/watch?v=yJIFPZd-mIg&nohtml5=False

Grabich era nadador de costas, ainda é. Era mais velocista. Gradativamente foi deixando o costas, que ainda nada, mas deixou de ser a prioridade há um bom tempo. Os 200 livre que lhe deram o primeiro título sul-americano em 2010 viraram a prova principal. Os 100 livre virou a nova prova favorita de Grabich.

Desde 2013, Monica Gherardi tem o apoio na consultoria do australiano Bill Sweetenham. Contratado pela Federação Argentina, Sweetenham foi o que faltava no programa de Grabich para um salto ainda maior.

Único com 5 ouros em Assunção 2016

Único com 5 ouros em Assunção 2016

Para o Rio 2016, Grabich já está com seus três índices garantidos, 50, 100 e 200 livre. Vai buscar algo que a Argentina não vê desde 1928, uma medalha na natação masculina dos Jogos Olímpicos. É algo quase que inimaginável, mas depois do que se viu na festa depois do ouro no Pan e do bronze em Kazan, Casilda vai ser a cidade mais feliz do mundo.

Final dos 100 livre em Kazan, vitória de Zetao Ning e bronze de Grabich

A festa em Casilda!

A festa em Casilda!

Série da Best Swimming 40 estrelas para brilhar no Rio 2016 até agora:

#1 Therese Alshammar, Suécia
#2 Laszlo Cseh, Hungria
#3 Adam Peaty, Grã-Bretanha
#4 Nathan Adrian, Estados Unidos
#5 Ruta Meilutyte, Lituânia
#6 Shiwen Ye, China
#7 Katinka Hosszu, Hungria
#8 Ryan Lochte, Estados Unidos
#9 Florent Manaudou,França
#10 Paul Biedermann, Alemanha
#11 Chad Le Clos, África do Sul
#12 Emily Seebohm, Austrália
#13 Yulia Efimova, Rússia
#14 Katie Ledecky, Estados Unidos
#15 Federico Grabich, Argentina

Na próxima: Zetao Ning, China

2 respostas
  1. Gustavo Cardoso
    Gustavo Cardoso says:

    Coach, Jeannette Campbell e Alberto Zorrilla também foram medalhistas. Alberto aliás, é o primeiro sul americano campeão olímpico de natação!

    Responder

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