A polêmica da participação da nadadora Lia Thomas da Universidade da Pennsylvania está longe de terminar, mas uma série de acontecimentos foram deflagrados esta semana e outros ainda são esperados especialmente pois estamos há pouco mais de 40 dias antes da disputa do NCAA Divisão I que acontecerá em março, em Atlanta.

Veja os destaques que a Best Swimming aponta para você entender melhor a situação:

NCAA
Um dia antes da reunião do Board of Directors da entidade, o NCAA publicou uma nova regra para a participação dos atletas transgêneros no esporte universitário americano. A decisão lembra muito o que o COI publicou no ano passado repassando a responsabilidade para as federações internacionais de cada modalidade.

O NCAA determinou que cada esporte deverá seguir a orientação da sua respectiva federação nacional, e em caso de ausência de regulamentação específica para o tema, a federação internacional, e no caso de ausência de ambas, seguir a orientação do COI.

No documento ainda é mencionado a sua aplicação imediata das novas regras e que os atletas trans precisam estar dentro das exigências até quatro semanas antes da disputa dos respectivos campeonatos nacionais. Para a próxima temporada, as regras ficam ainda mais rigorosas com controle antes do início da temporada, seis meses da temporada e novamente quatro semanas antes da disputa dos respectivos campeonatos nacionais.

Veja o documento na íntegra aqui:
https://www.ncaa.org/news/2022/1/19/media-center-board-of-governors-updates-transgender-participation-policy.aspx

COI
O Comitê Olímpico Internacional seguiu uma recomendação estabelecida em novembro de 2015 que determinava o controle dos níveis de testosterona para um ano antes de participação de um atleta trans feminino nos níveis de 10nmol/l. Tal recomendação foi revogada em novembro do ano passado.

A nova regra do COI dá as federações internacionais de cada esporte a autonomia para a decisão dos protocolos e regulamentações a serem seguidas, entretanto, recusa tratamentos médicos e exige que as regras a serem adotadas tenham comprovação científica.

Veja o documento na íntegra:
https://olympics.com/ioc/news/ioc-releases-framework-on-fairness-inclusion-and-non-discrimination-on-the-basis-of-gender-identity-and-sex-variations

USA SWIMMING
A USA Swimming se manifestou no dia de hoje, um dia após a publicação do documento do NCAA e fez através de quatro Tweets. Na mensagem da USA Swimming, é mencionado que desde 2018 a entidade emitiu uma regulamentação permitindo a participação dos atletas trans em dois tipos de abordagem. Para os atletas de categorias menores e em competições locais, é permitido a participação na categoria que o atleta escolher. Para os atletas de elite, a USA Swimming antes seguia a orientação do COI (10mmol/l) e agora aguarda a nova orientação da FINA.

Na mensagem da USA Swimming, a entidade menciona o seu compromisso na inclusão dos atletas trans no esporte e indica que tem participado ativamente de discussões junto a FINA sobre o tema.

Abaixo o texto na íntegra dos 4 Tweets:

“USA Swimming firmly believes in inclusivity and the opportunity for all athletes to experience the sport of swimming in a manner that is consistent with their gender identity and expression. We also strongly believe in competitive equity, and, like many, are doing our best to learn and educate ourselves on the appropriate balance in this space.

“In 2018, we established athlete inclusion procedures, which included both a process by which an athlete could change their competition category consistent with their gender identity and criteria for athletes qualifying for or competing in elite-level competitions (including those competition time qualifications such as Juniors, Nationals and U.S. Open), which adhered to previous International Olympic Committee guidelines. This policy also importantly provides for individual athlete consideration.

“The non-elite athlete inclusion procedures remain unchanged. Following broad transgender policy changes in Nov. 2021, the IOC now requires International Federations to create their own sport-specific eligibility requirements, and so we have been proactively working with FINA for several months to help shape and support their policy development efforts. We believe they will release a new policy shortly, which we will adopt for elite-level competitions.

“USA Swimming is a member-driven organization governed by a 15-member Board of Directors, which oversees more than 360,000 members–including coaches, volunteers and over 325,000 athletes from age-group level to the Olympic Team. These individuals and 2,800 member clubs participate through a network of 59 Local Swimming Committees (LSCs) in four geographic Zones across the U.S. With the NCAA now deferring to USA Swimming for eligibility determinations, we welcome and look forward to American NCAA athletes and coaches joining our membership in order to be eligible to be governed by our policy and its provisions and benefits.”

FINA
O novo Comitê de Reformas da FINA foi apontado em outubro e recebeu aprovação da Assembleia da entidade em dezembro, durante o Campeonato Mundial de Piscina Curta em Abu Dhabi. Entre os temas e discussões, a inclusão dos atletas trans e uma nova regulamentação a respeito está em discussão.

De acordo com o comunicado da USA Swimming tal decisão pode sair em breve, sendo que tal informação não é confirmada pela FINA, que ainda tem os protocolos em discussão, mas sem qualquer conclusão.

Vale destacar que regras na FINA nunca tem efeito imediato e sim um período de adaptação e aplicação.

ASCA
No dia 15 de janeiro passado, a ASCA, American Swimming Coaches Association divulgou uma nota oficial solicitando que a NCAA revisasse as regras referente a participação dos atletas trans no esporte universitário. No documento, a ASCA menciona o uso da ciência e refuta a participação dos atletas trans no modelo que estava sendo aplicado.

Veja aqui o documento publicado:
https://swimmingcoach.org

CSCAA
A College Swimming Coaches American Association publicou hoje uma nota condenando a decisão do NCAA em postergar uma decisão a respeito da participação dos atletas trans em competições universitárias. A CSCAA menciona que o NCAA perdeu uma oportunidade de aprofundar o tema da inclusão no esporte universitário e pede que o total de atletas a serem convocados para participar do NCAA Divisão I ganha uma vaga extra, permitindo a participação de Lia Thomas, sem retirar nenhuma atleta feminina da competição.

Veja aqui a posição do CSCAA:
https://www.cscaa.org/news/2022120/cscaa-supports-lia-thomas-encourages-ncaa-to-engage-in-meaningful-reform

UNIVERSIDADE DA PENNSYLVANIA
Desde o início de todo processo, a Universidade da Pennsylvania tem se mantido na defesa da atleta Lia Thomas. Hoje, após a publicação das novas regras do NCAA, a entidade anunciou que irá seguir as orientações na busca de garantir a presença de sua atleta-estudante no NCAA Divisão I.

Veja o texto publicado:
“Penn Athletics is aware of the NCAA’s new transgender participation policy,” the statement said. “In support of our student-athlete, Lia Thomas, we will work with the NCAA regarding her participation under the newly adopted standards for the 2022 NCAA Swimming and Diving Championship.”

IVY LEAGUE
Uma das mais tradicionais ligas esportivas universitárias americanas já havia publicado em 8 de janeiro uma nota de apoio a nadadora Lia Thomas:

“Over the past several years, Lia and the University of Pennsylvania have worked with the NCAA to follow all of the appropriate protocols in order to comply with the NCAA policy on transgender athlete participation and compete on the Penn women’s swimming and diving team. The Ivy League has adopted and applies the same policy.

“The Ivy League reaffirms its unwavering commitment to providing an inclusive environment for all student-athletes while condemning transphobia and discrimination in any form.

“The league welcomes her participation in the sport of women’s swimming and diving and looks forward to celebrating the success of all of our student-athletes throughout the season.

Hoje, após a publicação do NCAA, a Ivy League voltou a se pronunciar e novamente em defesa de Lia Thomas indicando que fará com que as regras sejam seguidas e a atleta possa participar do NCAA:

“The Ivy League is aware of yesterday’s NCAA Board of Governors’ decision to update its transgender policies beginning with the 2022 NCAA Winter Championships. The league will work with the University of Pennsylvania and its other member institutions to determine the mid-year eligibility impact to any of its transgender student-athletes who might be affected by this decision and will provide an update when appropriate.”

CONCLUSÃO E PROJEÇÃO
Situação totalmente indefinida e a abordagem do NCAA de ontem ficou longe de resolver o problema. A bola foi passada para a USA Swimming que imediatamente passou para a FINA. O procedimento foi o mesmo feito pelo COI em novembro do ano passado. Ou seja, a FINA já trabalha neste tema com o seu novo Comitê de Reformas.

Entretanto, como estamos há 40 dias do Campeonato Universitário da Divisão I do NCAA Feminino, dificilmente teremos uma decisão até o dia 16 a 19 de março, data prevista para a disputa da competição em Atlanta, na Georgia Tech University.

Caso nem USA Swimming, nem FINA determinem nova regulamentação, Lia Thomas irá participar sem qualquer restrição da competição. Atualmente, Lia Thomas ocupa as posições de líder nacional do ranking da Divisão I feminino nas provas de 200 e 500 livre e sexto lugar nos 1650 livre.

De qualquer forma, a regra de 10nmol/l estabelecida anteriormente pelo NCAA está revogada. Ou seja, somente a USA Swimming ou a FINA podem tirar Lia Thomas do NCAA e se suas novas regras forem publicadas com efeitos imediatos.

OPINIÃO BEST SWIMMING
O tema é controverso e seja qual for a tomada de posição não vai conseguir agradar a nenhum dos dois lados, bastante polarizados neste tema. Uma nova regulamentação na participação dos atletas trans no esporte de alto rendimento é algo que se faz necessário há algum tempo.

Vale destacar que o que está em discussão é uma regra, que seja adotada com embasamento científico e não a discussão específica da participação deste ou daquele atleta em qualquer que seja o esporte. A discussão do tema gerou uma campanha de ataques e discussões que nada acrescentaram na formulação na busca da nova regulamentação e solução para o problema.

A FINA vai deliberar uma nova regulamentação, é inevitável que isso aconteça, resta saber quando tal determinação será publicada e quando entrará em vigor. O que já se pode antecipar, vai ficar longe de agradar a todos, longe.

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